segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Senado paulista: balaio de indefinições

O início da semana para a política tem sido marcado pelas repercussões da desistência de Aécio Neves à candidatura presidencial e pela divulgação da pesquisa Datafolha que, também falando sobre a corrida ao Planalto, indicou uma aproximação entre José Serra e Dilma Rousseff.

O Datafolha divulgou mais índices. Na disputa pelo governo de São Paulo, nenhuma surpresa: Geraldo Alckmin lidera com folga. Arrisco que se nenhuma hecatombe acontecer (como até mesmo uma aparentemente improvável desistência de José Serra à sucessão de Lula), Alckmin e Dona Lu já podem ir pensando como decorarão seus escritórios no Palácio dos Bandeirantes.

Mas é sobre outra pesquisa divulgada pelo Datafolha que gostaria de me pautar. Falo da disputa pelas duas vagas no Senado, a serem renovadas agora. Acredito que aí está a eleição majoritária mais imprevisível para os paulistas no ano que vem.

Dois senadores encerrarão seus mandatos em 2011: Aloizio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Até terceira ordem, ambos buscarão a reeleição no pleito do ano que vem. Mercadante, apesar do péssimo desempenho na eleição de 2006 e de alguns tropeços (o mais recente foi o caso "irrevogável"), deve ser eleito. Tem muita visibilidade, condensará os votos paulistas para Lula, e é bom no jogo político.

O bicho deve pegar mesmo para a vaga de Tuma.

Ele tem hoje 27% das intenções de voto. É o segundo colocado - ou seja, estaria (re) eleito.

Mas a distância que tem para seus seguidores é pequena, muito pequena, o que deixa claro que seu favoritismo não é dos mais sólidos.

Analisemos quem vem atrás de Tuma, praticamente empatados com o senador. Orestes Quércia (PMDB) é uma figura curiosa. Venceu sua última eleição em 1986 mas exerce ainda uma liderança única em São Paulo - foi reeleito recentemente presidente do PMDB estadual, com votação das mais expressivas. Tem, agora, 24 das intenções de voto. Eu acreditaria que não tende a avançar mais que isso. Seu patamar inicial é alto, mas tem certa rejeição e, aparentemente, pouco a evoluir.

Acredito que as figuras mais interessantes da disputa sejam os "artistas" Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha Francine (PPS). Ambos têm agora 22%. É muita, mas muita coisa para quem ainda não se posicionou formalmente como candidato e pertence a partidos de porte médio ou pequeno. Sem contar que ambos terão o respaldo de candidaturas de grande porte - Netinho deverá ser o "segundo nome" da chapa petista, enquanto Soninha pegará carona na candidatura do PSDB. Ainda não se sabe se os dois se formalizarão candidatos (Netinho parece estar mais disposto), mas eu veria neles nomes de expressivo peso.

Já mais distantes estão Gabriel Chalita (PSB) e Paulo Renato (PSDB). Apesar dos baixos índices que têm hoje, não devem ser descartados, pelo peso que ambos têm na política local - vale lembrar que Chalita foi o vereador mais votado em 2008 e Paulo Renato foi bem na disputa para deputado em 2006. Aliás, no caso de Renato, se deve pensar se ele realmente se arriscará a perder uma relativamente tranquila reeleição para a Câmara.

Desde já, a disputa para as vagas paulistas no Senado vai se marcando como uma das mais interessantes das eleições no ano que vem. Alguém tem algum outro palpite?

6 comentários:

doisesquerdos disse...

Olavo, eu não tenho palpite, mas queria saber se teve pesquisa de resposta espontânea para essa eleição. E, se teve, qual foi o resultado.

Guto disse...

Quércia presidente do PSDB?? Uma troquinha de letra só.

Torço pra Soninha sair candidata para renovarmos pelo menos uma cadeira no senado.

Nicolau disse...

Pois é, tá certo que o Quércia tá fazendo o jogo do Serra com entusiasmo, mas ainda é do PMDB, rs. Aliás, o controle do ex-governador no diretório paulista do PMDB foi um dos motivos do racha que originou o partido tucano. A vida dá voltas.

Sobre o senado, de fato, eu acho difícil que Quércia leve essa vaga. A rejeição é parte do motivo, mas pode ser só torcida de minha parte. Os números de Soninha e Netinho são surpreendentes. Se qualquer um dos dois tirar a vaga de Tuma, será um avanço.

Patricia disse...

só pra constar, o nome "oficial" do PSDB para os Bandeirantes é o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. Mas chuchs tá fazendo agenda pesada no interior. Tem sob sua pasta, a Secretaria de Desenvolvimento, a bandeira bem-sucedida das Etecs e Fatecs. Aliás, a manobra de JS em janeiro, livrar Goldman do duplo cargo (vice e secretário de Desenvolvimento) e botar chuchs no lugar da SD foi muito sábia, politicamente.

sobre os senadores, sei lá, mil coisas, e política é como futebol, uma caixinha de surpresas!
beijo da afilhada

Walter Martins disse...

Estou republicando seu artigo no meu blog.

Abraço.

João Paulo disse...

Ué pensei que o Dep William Woo sairia para o Senado.
Meu voto seria dele pelo seu trabalho e seus projetos como o disque denuncia, anistia, ric...