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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Rio de Janeiro

Chegamos agora na letra R, e ao terceiro maior colégio eleitoral do Brasil. A disputa lá está polarizada entre o deputado Fernando Gabeira (PV) e o atual governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Fernando Gabeira (PV)
Se fôssemos levar o ditado "a primeira impressão é a que fica" a sério, rejeitaríamos o site de Gabeira. Porque o design da página inicial do deputado aposta em uma combinação estranha de diferentes tonalidades de verde que acaba gerando um efeito estranho.

Mas tal juízo seria equivocado. À parte desta falha no design, o site de Gabeira é muito bom. É bem informativo - tudo o que se precisa saber sobre o candidato e sua campanha está lá. As notícias são bem dispostas (e interessantes), vídeos e áudios são divulgados da maneira correta.

Há um diferencial na página. O campo "Transparência" fala sobre o que foi arrecadado e como foi investido esse dinheiro. Até agora, nenhuma das páginas consultadas trouxe esse tipo de informação. É algo que acaba pegando bem para o eleitor. Falando ainda de doações, a página tem um campo para tal - ainda que não da maneira mais recomendável, que seria a doação online, mas pelo menos as instruções estão passadas.

O site contribui de maneira eficiente para a participação do voluntariado. Pela página, se pode baixar material de campanha (wallpapers, banners e outros) e solicitar o envio de material impresso. Há também um canal exclusivo para o voluntariado, que traz atividades corriqueiras (e boas), como panfletagem e bandeiraço em diferentes localidades.


Paradoxalmente, o que é a maior virtude da página acaba sendo também sua principal falha. Para descobrir onde acontecerão os eventos, é preciso ser cadastrado na rede social - ou seja, acontece uma "burocratização" do acesso que acaba inibindo a divulgação do evento, bem como a presença de mais eleitores. E não há um único telefone ou endereço para contato - quem quiser falar com Gabeira e sua campanha, tem que apelar para o formulariozinho.

Sérgio Cabral Filho (PMDB)
O ponto onde está a maior falha da página de Gabeira é o que registra a maior virtude do site de seu principal adversário - o design do site de Cabral é ótimo. A página é muito bonita, e tem uma apresentação que remete a um site comercial. Ou seja, algo com o qual o internauta está mais habituado, e que estimula a navegação e a permanência no site.

A página inicial traz também uma sacada das melhores já analisadas até agora. É a caixa "Realizações", subdividida em nove ícones em que é dito o que o governador fez nas áreas de segurança, saúde, ambiente e outros. Como já dito em outras análises, um candidato com vida pública extensa tem a obrigação de apresentar o que já fez - e quando mais prática e direta essa apresentação for feita, melhor. O site de Cabral consegue isso.

Outra medida simples mas muito eficaz é a seção "Por que votar?". Lá há 15 textos curtos (um ou dois parágrafos) cada em que são apresentadas razões pelas quais um eleitor deve preferir Sérgio Cabral. Mais do que convencer o internauta, o mérito desta página está em dar ao visitantes argumentos para falar sobre o candidato em uma discussão. Ponto positivo.

Em "Imprensa", estão os telefones e emails para que o jornalista contate a campanha. Óbvio? Pois é, mas raramente feito.

Os dois principais tropeços do site estão na ausência do plano de governo - não existe, e nem há outras menções sobre o que o governador pretende fazer se reeleito, apenas citações em algumas notícias - e na ínfima ferramenta de contato, resumida ao formulariozinho.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A candidatura Gabeira é mais do que um "palanque de Serra"

Os jornais noticiam hoje que o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) topou sair candidato ao governo de seu estado. A aliança que sustentará sua candidatura deverá também ter a participação de PSDB, PPS e DEM.

A notícia é importante pelos vários desdobramentos que a cercam. O primeiro é que, vencendo ou perdendo, se realmente se confirmar candidato Gabeira não estará no Congresso a partir de 2011. Nos últimos anos, Gabeira tem sido um dos deputados de maior relevância na Câmara e se tornou uma espécie de "farol ético" na casa - principalmente após seu quebra-pau com Severino Cavalcanti.

É também surpreendente a participação de Gabeira na disputa pelo governo porque seu nome era dado como certo ao Senado - o próprio deputado havia dado declarações dizendo que não concorreria ao governo porque não teria como fazer frente à candidaturas mais estruturadas, principalmente à do atual governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Mas, em nível federal, a principal consequência do anúncio de Gabeira será o peso de sua candidatura à corrida presidencial. Os partidos que devem apoiar o seu PV são os "três mosqueteiros" da oposição a Lula, e comporão a chapa de José Serra na disputa ao Planalto. Com a confirmação da aliança, Serra terá o famigerado "palanque estadual" que os tucanos temiam que não ocorresse no Rio.

Sabemos que o sucesso de uma candidatura não necessariamente leva a outra candidatura aliada a também desfrutá-lo. Ou seja: ainda que Gabeira arrebente na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, não se pode afirmar que José Serra também terá boa votação no estado. Claro que uma coisa não é totalmente incompatível da outra, mas também não é tão automática como muitos pressupõem. Serra terá que ralar no estado da segunda maior cidade do Brasil, até porque a popularidade de Lula por lá é das mais fortes.

Mais do que um "palanque para Serra", o principal resultado da aliança Gabeira-trinca oposicionista é a possibilidade de ver a união PV-PSDB-DEM-PPS se repetindo no plano federal. Muito se fala que a pré-candidatura de Marina Silva seria uma espécie de "suporte" ao projeto de José Serra; e até mesmo a possibilidade da senadora se inscrever como vice do paulista tem ganhado corpo. Agora, com o principal expoente do PV se unindo aos partidos de oposição na disputa por um governo estadual, as especulações fazem mais sentido que nunca.