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terça-feira, 12 de abril de 2011

Falando em novo partido...

Ontem, ouvindo rádio, levei um susto quando uma propaganda partidária entrou no ar. A propaganda começava com um narrador que questionava: "o que você espera de um novo partido?" Na sequência, pessoas respondiam dizendo que gostariam que este novo partido lutasse por mais emprego, promovesse a sustentabilidade, fosse composto por pessoas honestas, e assim por diante.

Ao ouvir sobre o "novo partido", me surpreendi com o fato do PSD já estar com uma campanha em cadeia nacional. "Caramba, o partido foi fundado esses dias e já está sendo divulgado na rádio, que rapidez, eu achava que ainda faltava o registro no TSE e....". Até que, na conclusão da peça, anuncia-se que a propaganda é do PMDB. O "novo partido", então, é o tradicionalíssimo do número 15, do vice-presidente Michel Temer.

Não sei se a peça do PMDB - direcionada ao público de São Paulo - foi planejada antes da confirmação da criação do PSD. Bem possível, já que o calendário das inserções é definido com bastante antecedência e, em anos não-eleitorais, é costumeiro que o teor das inserções seja mais "frio" e menos relacionado a eventos momentâneos. Caso esta hipótese seja a verdadeira, é nítido que o PMDB adotou a marca de "novo partido" para se desvincular da figura de Orestes Quércia, que presidiu a sigla por décadas até a sua morte, no ano passado.

Apesar de ter sido governador e de deter imensa influência no jogo político estadual, Quércia era uma figura com muita rejeição em São Paulo. A propaganda sugeriria, com base nisso, que o partido está deixando para trás a figura do ex-governador - algo como "pode vir, o Quércia não está mais aqui, agora estamos traçando novos rumos". Curioso.

E, caso a ideia do "novo partido" tenha sido cunhada após a criação do PSD, das duas uma: ou houve muita inocência por parte dos seus criadores, que não pensaram na possibilidade de associação com o partido de Kassab, ou desenvolve-se uma tentativa de marcar o nome do PMDB no embalo da agitação causada pelo PSD. Aguardemos uma explicação oficial.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Novo partido é um problema?

Nestes últimos dias foi formalizada a criação do Partido Social Democrata (PSD), o mais novo partido brasileiro. A sigla, como já é sabida, nasceu da insatisfação do prefeito paulistano Gilberto Kassab com o DEM, partido ao qual era filiado há anos. Kassab queria ter mais autonomia dentro de um partido - e também se aproximar do governo federal -, viu que não poderia consegui-lo no DEM, temeu mudar de partido e ser acuado pela lei da fidelidade partidária, e então constatou que a criação de uma nova sigla seria o caminho mais adequado.

Um dos principais aliados de Kassab na nova sigla será o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, também ex-DEM.

Ao contrário do que se previa inicialmente, o PSD disputará eleições em 2012 (as primeiras conversas sugeriam que o partido se fundiria imediatamente com o PSB). Ou seja, teremos um partido novo na próxima disputa, que elegerá prefeitos e vereadores.

Cabe então discutir como se dará o trabalho de marketing de um partido que enfrentará sua primeira eleição.

Poderíamos dizer que o PSD passará apertos, já que, justamente por ser novato, não é conhecido do eleitorado e não tem um recall de eleições anteriores. Mas acredito que o que tende a ocorrer é justamente o oposto. Com exceção de PT e PSDB (e também o PMDB, mas em menor grau), há algum grande partido, em termos de conhecimento do eleitorado? Percebam que não estou falando em número de filiados, muito menos fazendo um juízo de valor sobre as siglas. Me refiro ao peso de suas marcas.

Questiono: haverá muita diferença, para o eleitor comum, entre PSD e PSB, PTB, PDT, DEM, PR e as outras siglas que compõem o espectro político nacional?

O eleitor brasileiro não vota em propostas e nem em partidos, e sim em pessoas - e aí não estou fazendo nenhum raciocínio genial, mas apenas inferindo sobre o que a história das eleições nos mostram. E pessoas o PSD tem - o prefeito da maior cidade e o vice-governador do maior estado do Brasil não são pouca coisa.

Durante as eleições de 2008, Kassab venceu em uma São Paulo recebendo votos de eleitores que não estavam interessados em votar em ninguém do PT nem do PSDB, e sim em alguém cujo estilo administrativo os agradava. A formalização do novo partido faz de Kassab candidatíssimo ao governo de São Paulo em 2014 (ainda que pesquisas recentes apontem que sua popularidade na capital paulista vai de mal a pior).

De todos os problemas que Kassab enfrentará nas suas próximas empreitadas, o fato de ser de um partido novo tende a ser o menor deles.

E cobrem-me, leitores: assim que o PSD divulgar sua logomarca e seu site, farei uma análise aqui.