terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Distrito Federal

Hora de falar da capital do nosso país - e deste que vos escreve lutar contra o impulso de usar as palavras "estadual" e "estado" no texto.

Agnelo Queiroz (PT) e Joaquim Roriz (PSC) são os dois candidatos que polarizam a disputa no Distrito Federal. Às análises:

Agnelo Queiroz (PT)
O site do petista é muito bom. De todas as páginas até agora analisadas, tem o melhor design; é inovador e belo, e ao mesmo tempo não prejudica a navegação (mal que incorrem, infelizmente, muitas páginas que querem ser caracterizadas pela novidade).

As chamadas principais da página se rotacionam não por data, mas sim por escolha dos seus editores. A medida garante agilidade e também assegura que nenhuma notícia pouco importante vá receber peso maior do que deveria. A referência às mídias sociais está ali, de fácil acesso, e também com um bom conteúdo. O Twitter de Agnelo, o "blog do Agnelo" (que é uma compilação de notícias) e os vídeos em destaque compõem um bom visual.

Uma das melhores sacadas do site é a disposição do programa de governo de Agnelo. As principais diretrizes são exibidas de maneira simples e fácil navegação; e, além disso, há um link para o programa completo, em formato PDF, e um campo para que o internauta envie suas sugestões.

Mas, claro, cabem críticas. Uma é relacionada a algo que prejudica, principalmente, o próprio Agnelo: cadê o Lula? O presidente da República, figura bem avaliada e que tem aparecido em destaque nas páginas de todos os candidatos de partidos aliados, não é algo que se encontra facilmente na página de Agnelo, seu ex-ministro. Na mesma linha, poderiam ser melhor trabalhadas as referências aos outros candidatos da chapa de Agnelo - inclusive a de Dilma Rousseff, postulante à Presidência. Na parte inferior do site, estão os logotipos da candidatura de Dilma e a dos postulantes ao Senado Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg, mas sem links para os respectivos sites - uma bola fora.

Outro ponto negativo está na falta de telefones e/ou endereços para contato direto com o eleitor. O único caminho para contato é o tradicional formulário - ineficaz e pouco estimulante.

Joaquim Roriz (PSC)
A página do ex-governador alterna ótimas ideias com momentos de infelicidade.

O design da página, em geral, é bom. O site tem um visual interessante, e cores com harmonia com as logomarcas da campanha. Mas na home, um problema meio bobo e de fácil resolução: a foto de Roriz e dos seus companheiros de chapa é estranha. O candidato principal não tem o destaque que precisaria ter. E, como não há nenhuma outra menção no site aos candidatos a vice e aos do Senado, o visitante acaba não sabendo quem são as pessoas que ladeiam Roriz na imagem principal da página.

A disposição de notícias na página inicial é boa, mas poderia ser melhor. A partir da segunda seção de notícias, acaba sendo formado um blocão pouco interessante.

Em "Fala Povo", um dos pontos mais legais da página - e que seria ainda mais no alvo se fosse melhor executado. Depoimentos e imagens de eleitores são sempre uma boa pedida, já que as pessoas gostam de se ver. Mas as fotos são pequenas, e a fonte, cinza em um fundo branco, é de difícil leitura.

No que se refere à interação com o visitante, a página de Roriz acaba fazendo o oposto - tanto para o bem quanto para o mal - do que a maioria das páginas de candidatos aos governos têm adotado. Há, positivamente, telefones e endereços para contato, tanto para o público geral quanto para a imprensa; por outro lado, as mídias sociais são completamente desprezadas. (Comentário: entre telefone-endereço e parafernália de acesso para as mídias sociais, fico com a primeira opção. E vocês? Mas claro que as duas coisas seria o ideal)

Por fim, uma questão sobre a qual gostaria de chamar a atenção: o site tem muitas, mas muitas mesmo referências sobre a questão da "ficha limpa" - pendência judicial que pode até mesmo tirar a candidatura de Roriz da disputa. Acho importante que o candidato coloque na página seus desmentidos e sua visão do caso, mas... será que, ao enfatizar demais o assunto, Roriz acaba não dando a ele um destaque maior do que seria necessário, dentro de um contexto eleitoral?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Ceará

Vamos agora falar do Ceará, que tem três candidatos principais na disputa: Cid Gomes (PSB), Lúcio Alcântara (PR) e Marcos Cals (PSDB).

Cid Gomes (PSB)
A página do atual governador e favoritíssimo à reeleição tem erros feios e méritos invejáveis.

Uma das principais falhas está na aparência do site, em especial a da home. O site tem cores estranhas, design "espremido" (o conteúdo fica todo atolado na região central do visor) e fontes inadequadas para exibição na página principal. Além disso, a home tem uma péssima exibição de notícias - há apenas um único espaço para destaque, e as matérias ficam "girando" entre si. Utilizar um sistema de destaques rotativos é legal, mas desde que não seja a única disposição de conteúdo dinâmico na página inicial.

Outro problema está na parte do plano de governo do candidato. Na página, ele aparece como "em elaboração". Ora, até por força legal, o programa da coligação de Cid já existe e pode ser consultado no site do TSE. Não custava nada a página oficial do governador atualizar essa informação.

Entre os pontos positivos da página, destaca-se o banner inicial, com retratos de Cid, os outros candidatos de sua chapa e também de Dilma Rousseff, presidente Lula e Ciro Gomes (seu irmão e cabo eleitoral). E, principalmente, numa das melhores sacadas até agora vistas em todos os sites consultados, o endereço de todos os comitês de campanha no estado - incluindo referências locais e precisas como "em frente a padaria do Bido" (sic). Só faltaram os telefones para a informação ficar ainda mais completa.

Vale destacar também a seção vídeos: ao invés de mostrar peças institucionais, a página expõe vídeos gravados por eleitores e visitantes em geral, o que certamente atrai a presença de mais gente - afinal, uma pessoa mostrada no site se anima a apresentar a página aos seus amigos.

Lúcio Alcântara (PR)
A página do candidato do PR tem um design indiscutivelmente melhor que a do seu principal adversário. A home é mais completa, com mais informações, disposição positiva de notícias e chamadas a subdivisões de interesse para o eleitor-internauta.

Um dos principais feitos da página é dividir as propostas de governo em áreas. As proposições de Alcântara são expostas de maneira clara, de forma que o eleitor que acessa o site sabe, com precisão o que o candidato pensa - apesar de óbvia, essa prática tem sido pouco adotada pelos candidatos por aí.

Lúcio Alcântara já foi senador, governador e prefeito e portanto tem um currículo vasto - que não é muito bem explorado pelo site. As realizações do candidato são colocadas de maneira blocada. Uma divisão também em áreas - talvez incluindo em um tema só todas as realizações de Lúcio, independentemente do cargo - seria uma boa.

O site ousa com a parte Central do Militante. É um espaço interessante, para que as pessoas acompanhem o que vem sendo feito pela campanha de Lúcio e suas atividades como um todo. Aí só caberiam pequenos ajustes - por exemplo, fazendo com que a seção Siga Nosso Caminho tivesse uma apresentação um pouco mais amigável.

Porém, a falha mais grave da página - e bem grave mesmo - é a ausência de uma ferramenta para contato. No meio de tantos ícones para as redes sociais, falta um simples "Fale Conosco", ainda que fosse para abrir aquele arcaico formulário para inserir nome, endereço e outros dados. Não há, nem isso nem os caminhos para contatos de imprensa.

Marcos Cals (PSDB)
É a melhor das três páginas dos principais candidatos cearenses. O design é simples mas convidativo, e a página se expande por toda a tela, aproveitando os espaços.

As notícias na home são dispostas em formato de blog. Esse método nem sempre é interessante, porque pode fazer com que textos menos importantes recebam destaque inapropriado - por outro lado, garante uma atualização direta.

Pecado feio do site é a apresentação das propostas de governo. Elas são positivamente divididas em áreas, mas o vazio nos dizeres impressiona - "guerra ao tráfico de crack" e "promoção do empreendedorismo rural" são duas das "ideias", tão genéricas que chegam a assustar.

A agenda de Cals está apresentada de maneira interessante e também convidativa.

E há um ponto que é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Positivo por apresentar uma informação muito legal, negativo por não fazê-lo com uma navegação mais fácil. A campanha de Cals tem como uma de suas ferramentas o site Mobiliza Ceará - que, a exemplo do que faz Ronaldo Lessa em Alagoas e outros candidatos, tem como objetivo fazer com que internautas se reúnam e construam núcleos de apoio à candidatura. O Mobiliza tem os endereços e telefones de comitês da campanha, uma ótima iniciativa. Mas a pergunta é: não seria mais prático se essas informações estivessem dispostas de maneira clara na página principal de Cals, e não num site anexo? Será que é mesmo o caso de fazer o internauta trocar de site para saber onde há um comitê próximo dele?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Bahia

Chegou a vez de falar da Bahia. Agora, a análise dos sites dos candidatos tem outro prisma. A Bahia é o quinto estado do Brasil em população, Salvador é a terceira cidade; falamos de um universo maior e mais rico do que o onde estão as páginas dos candidatos previamente analisados pelo blog (Acre, Alagoas, Amapá e Amazonas).

Isso se refletiu logo no trabalho de busca para encontrar as páginas a serem atualizadas. Os sites de Geddel Vieira Lima (PMDB), Jacques Wagner (PT) e Paulo Souto (DEM), os três candidatos com chances reais de vitória, apareceram nas páginas iniciais do Google, sem muito esforço por parte do analista.

Às análises:

Geddel Vieira Lima (PMDB)
É essa ótica anteriormente descrita que faz com que a página de Geddel mereça mais críticas do que elogios. Fosse o site destinado a um candidato de Acre ou Amapá, onde as iniciativas para a internet são fracas ou inexistentes, mereceria uma nota 10. Mas não - Geddel disputa na Bahia, tem concorrentes com páginas bem melhores que a sua (veja abaixo) e por isso sua ação na net deve ser alvo de observações mais rigorosas.

Design - ou a falta dele - é a principal falha do site de Geddel. Em poucas palavras, o site é feio. Verde, amarelho, vermelho e azul se mesclam de forma não-harmônica na página inicial. A logomarca de Geddel, com o 15 do PMDB envolto por um coração, também não ajuda. O resultado é um site poluído, pouco convidativo.

O problema se mostra ainda maior quando se tenta ler as notícias da página. Tanto nas chamadas quanto no corpo do texto propriamente dito, o site usa fontes de difícil leitura. São pequenas, estão muito próximas uma da outra, usam negrito de maneira desnecessária. Na seção dos destaques, por exemplo, a fonte Arial em capslock, em amarelo sobre o fundo verde, cria uma imagem bem mais feia do que um candidato como Geddel pede.

A bronca com o design se mostra ainda mais importante quando verificamos que o site de Geddel tem bastante conteúdo. Mas muito mesmo - há a biografia do candidato, áudios e vídeos de boa qualidade, uma sala de imprensa com telefone de contato, referências às redes sociais e outros sites de campanha, e assim por diante.

Cabe também um elogio ao banner inicial, com Geddel rodeado por Lula e Dilma Rousseff - cabos eleitorais importantes. Mas não deixa de ser notado o uso de termo "presidenta" para se referir a Dilma. Quando o vocábulo está cada vez mais sem uso e a campanha de Dilma prefere "presidente", não seria mau negócio deixarmos o "presidenta" de lado, de acordo?

Jacques Wagner (PT)
Website caprichado, um dos melhores de toda a campanha atual, em todo o Brasil. A página tem um design cativante, com imagens, cores e fontes se dispondo de modo cativante.

Chama a atenção a rápida e eficaz atualização do site - diferentemente do que se vê em muitas páginas de campanha, a de Wagner é abastecida várias vezes ao dia, com uma boa estrutura.

Um ícone na parte inferior da página chamou para um aspecto que faria com que o site recebesse elogios intermináveis: uma referência à realização de doações! Mas, quando aberta... a seção indica um mapinha do comitê para que o eleitor faça a doação pessoalmente. Pelo menos o mapa é do Google Maps...

O site evita um erro muito cometido pelo das outras campanhas - o programa de governo não está disposto de maneira blocada, e sim com propostas setorizadas. Mas parece que a simplificação nesse quesito foi levada ao extremo: por exemplo, uma das propostas para a saúde é Combater a AIDS, meningite, tuberculose, leishmaniose e outras doenças infectocontagiosas. Se alguém conhecer algum candidato que não defenda essa bandeira, por favor me apresente... nesse quesito, acaba-se caindo no genérico.

Um dos melhores setores do site é o que traz a biografia dos candidatos - Wagner e os outros integrantes da sua chapa. No perfil de Wagner, uma muito bem-feita animação em Flash apresenta quem é o candidato, e o que ele fez em diferentes momentos da sua vida, inclusive como governador. Solução simples e fácil que poderia ser adotada por outros candidatos.

Cabe também destacar os bons recursos para interatividade. Além dos já batidos links para outras redes sociais, há a disposição de banners, em diferentes formatos, para que as pessoas coloquem a marca de Wagner em suas páginas - com o código em HTML ao lado, tudo "mastigado" para o internauta.

Paulo Souto (DEM)
À página de Paulo Souto cabe uma análise de certo modo similar à feita para o site de Geddel Vieira Lima. Tem um bom conteúdo, e as principais falhas estão no design.

A escolha das fontes é um grande problema. Tanto em chamadas quanto no corpo do texto, elas dificultam a leitura do texto. Forma-se um bloco estranho, ruim de se ler.

Há também problemas na apresentação das propostas de Souto. O programa de governo é apresentado no irritante formato do PDF; e as realizações do candidato, que certamente poderiam ser convertidas em bom material, acabam sendo exibidas em um bloco muito grande de setores.

As fotos do site, em geral, são outro problema. As imagens de eventos nas ruas são todas idênticas - dispostas lado a lado, como rotineiramente aparecem na página inicial, criam uma confusão visual. Não é um mau site, longe disso, mas poderia se tornar bem superior ao que atualmente é.

Legendários

O PT anunciou, em notícia veiculada no dia 3, que em seu programa no horário eleitoral gratuito em São Paulo não haverá apresentações individuais de seus candidatos a deputado federal e estadual, e sim um trabalho para solicitar, para ambos os cargos, o voto na legenda.

O partido vai utilizar a figura do presidente Lula e, de quebra, aproveitar o espaço para reforçar um pouco mais as candidaturas de Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante, Marta Suplicy e Netinho de Paula.

A notícia é muito positiva, a meu ver. Cabe uma ou outra ressalva, mas em geral é mais digna de elogios que críticas.

O PT acaba descobrindo o óbvio, algo que não sei como não é replicado por outras siglas: aquele espacinho picado, de pouco mais de 15 segundos, para que cada candidato fale, não chega a ser algo que desequilibre em uma campanha proporcional. Claro que tem seu peso - um candidato que aparece no horário político tem sua campanha vista com mais credibilidade, mais força - mas, pelas questões de tempo, não contribui decisivamente no contexto geral da campanha.

E a importância do voto na legenda nem precisa ser muito detalhada. Há inúmeros casos, em todas as eleições proporcionais (para vereadores e deputados federais e estaduais) de candidatos que são eleitos com menos votos que outros porque são beneficiados pela sua legenda, bem como os que recebem boas votações mas ficam de fora pelo coeficiente.

No caso do PT, a medida é ainda mais interessante porque o partido ainda é aquele que ainda tem o eleitorado mais "ideológico", mais "militante" - e o eleitor que simpatiza com Lula e Dilma e ainda não sabe em quem votar para o Legislativo, se instruído, acaba contribuindo com a sigla com o voto no 13.

As críticas que podem ser feitas à medida se baseiam em dois aspectos. O primeiro diz respeito à legislação eleitoral, à própria finalidade em si do horário político: a regra do jogo diz que o horário destinado aos deputados não pode ser preenchido com a campanha dos outros cargos, e por isso a campanha do PT terá que ser hábil para não incorrer nesse erro. A outra questão se dá de maneira semelhante, mas não sob o ponto de vista jurídico, e sim da campanha propriamente dita - se não bem preparada, a campanha pelo voto na legenda pode soar como apenas mais um pedido de votos em Dilma/Mercadante/Marta/Netinho, e assim se tornando pouco eficaz, não atingindo o alvo inicialmente esperado.

É esperar o horário eleitoral para ver como, na prática, a ação se desenvolve.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Amazonas

O maior estado do Brasil (em área) tem seis candidatos ao governo. De acordo com o Ibope, quatro deles têm percentuais ínfimos de intenções de voto. A disputa está polarizada entre Alfredo Nascimento (PR) e Omar Aziz (PMN), e é sobre os sites deles que a análise ocorrerá.

Ou melhor, deveria ocorrer. Porque Omar Aziz - até segunda ordem - não tem um site para sua campanha. As buscas no Google remeteram a uma série de reportagens em que ele é citado, mas não a uma página pessoal. Existe o estranhíssimo http://www.omar-aziz.net/, com textos desconexos e fotos de bancos de imagens que, esperamos, seja apenas uma página de teste. E o www.omar33.com.br, quando acessado, dá a mensagem de "Forbidden", e o erro 403. Ou seja: a página existe. Aguardemos novidades para os próximos dias (ou indicações de leitores dizendo que o site de Omar existe em outro endereço).

Alfredo Nascimento (PR)
O ex-ministro dos Transportes do governo Lula, que concorre ao governo pelo Partido da República, tem uma página mediana. Elogiar mais seria exagero, desferir mais críticas também. Um ponto alto - em termos eleitorais - é o banner principal, que tem como um dos destaques uma foto de Alfredo com o presidente da República. Boa iniciativa, que se casa com o slogan "O candidato do Lula", e que deveria ser seguida por outros candidatos de partidos aliados ao presidente (como Camilo Capiberibe, do Amapá, que não usa o recurso).

Tal qual temos observado em outras páginas, um defeito da página de Alfredo está em seus menus estáticos. Quase todos são desatualizados e desinteressantes. Em "Programa de Governo", por exemplo, o que se encontra é um blocão de texto nada cativante ao internauta. Uma subdivisão em áreas, e escrita de maneira acessível, certamente seria mais eficaz.

Há todas as referências às mídias sociais - Twitter, Orkut, Flickr e outros -, o que é uma boa. Mas apesar de todo esse repertório, a página não concede uma única ferramenta sequer de contato rápido - nem os irritantes formulários do "fale conosco" estão lá. Um email, um contato para a imprensa cairia muito bem.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Amapá

Seguindo a ordem alfabética, agora é hora de falarmos do Amapá.

Mas antes de entrarmos na análise específica dos candidatos, um comentário geral - que também se aplica ao que ocorreu com os candidatos de Alagoas, e que remete a algo que certamente acontecerá mais vezes durante a realização destas análises. Muitos sites de candidatos não estão corretamente posicionados nas buscas do Google. As páginas específicas das campanhas, às vezes, vão parar apenas na segunda ou até mesmo terceira página da pesquisa do buscador. Notícias, sites antigos, blogs - a favor ou contra - e outras coisas acabam aparecendo antes. As equipes de internet dos candidatos precisam estar atentas a essa questão.

O Amapá tem quatro candidatos principais ao governo. Todos, segundo o Ibope, têm condições de passar para o segundo turno, o que garante uma eleição bem equilibrada. São eles: Camilo Capiberibe (PSB), Jorge Amanajás (PSDB), Lucas Barreto (PTB) e o atual governador Pedro Paulo (PP).

Camilo Capiberibe (PSB)
Tal qual ocorrido com Fernando Collor, as primeiras buscas pela página do socialista trouxeram um grande susto - o Twitter oficial de Camilo Capiberibe indica como sua página um site feio, desatualizado e que, nas visitas de ontem, chegou até a gerar uma mensagem de alerta de Malware.

Mas uma pesquisa adicional fez aparecer o http://www.camilo40.com/, uma página que tem seus méritos (é a melhor do estado, mas mais pela concorrência, como será mostrado abaixo) e defeitos - alguns deles facilmente corrigíveis.

A primeira coisa que quem vê no site é um banner com a foto do candidato, dos seus companheiros de chapa e da postulante à presidência Dilma Rousseff - e aí uma grande ausência é a da figura do presidente Lula, que contribuiria para o fortalecimento da figura de Camilo.

O site é estruturado na plataforma Wordpress. Então, na página inicial, as notícias são dispostas em formato de blog, com uma principal em destaque. É um modo correto de se colocar informações dinâmicas, e que garante uma atualização fácil.

Está nas páginas estáticas o principal problema do camilo40.com. Ainda há uma série de "em construção" a serem atualizados. E, na seção destinada a apresentar a candidata a vice, Dora Nascimento de Souza, um Olympus Digital Camera lá escrito e uma foto sem nenhuma produção sugere um quê de amadorismo.

Há links para as redes sociais e o internauta pode cadastrar seu celular para receber mensagens SMS. Pontos positivos, sem dúvida.

A ideia da página é boa, e com alguns ajustes, o site fica mais que adequado à campanha de Capiberibe.

Jorge Amanajás (PSDB)
Na falta de uma página específica para a campanha, a análise será feita sobre o site jorgeamanajas.com.br, a página pessoal do candidato.

É um site que, em termos de conteúdo, não registra maiores problemas - ou melhor, não registraria se não estivéssemos falando de período eleitoral. Estão ali o currículo do candidato, sua biografia, endereço para contato na Assembleia Legislativa (ele é deputado estadual) e... acabou aí. As menções à candidatura atual aparecem somente nas notícias. Não há nada sobre o programa de governo, nem propostas para o estado.

As realizações de Amanajás aparecem também de forma blocada, pouco convidativa. O site não se preocupa em listar o que o candidato fez na Assembleia - insere somente um link automático do Legislativo com as proposições de Amanajás, de forma nada interessante ao público leigo e que busca informações ágeis.

Há também problemas de design. Algumas notícias aparecem com um tipo de fonte, outros com outra (compare esta e esta).

A seção Entrevistas, com um "Testando sistema de..." que figura em plena página inicial, é mais um defeito grave. Sugere até um certo descaso com a página.

Lucas Barreto (PTB)
Pois é: a imagem aí é a única coisa que se vê quando se acessa o http://www.lucasbarreto.com.br/. Nos dois dias de produção desse post (2 e 3 de agosto), nada do site de Lucas Barreto entrar no ar. Assim que vier (esperamos que logo), atualizarei aqui. Conto com a indicação dos leitores para fazer esse serviço.


Pedro Paulo (PP)
O atual governador do estado não tem uma página pessoal, e também não há uma para a sua campanha. As buscas registraram somente esse Twitter que ilustra o post - de plano de fundo horrível e cuja atualização mais recente data de 24 de abril. Se alguém souber de alguma página mais precisa de Pedro Paulo, por favor avise; caso contrário, segue a impressão de que o pepista faz o que muita gente infelizmente tem feito em relação à internet, um "fazer só para dizer que tem".

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Alagoas

Continuando a série, vamos agora para Alagoas. Lá, há coisa boa para avaliar.

Os três principais candidatos são Fernando Collor (PTB), Ronaldo Lessa (PDT) e Teotônio Vilela (PSDB). Eles têm, respectivamente, 38, 26 e 21% das intenções de voto, respectivamente. Ou seja, a briga por lá está bem aberta.

Fernando Collor (PTB)
Ao procurar a página do ex-presidente, primeiro veio o susto: a referência inicial no Google era para o site collor.com, uma página oficial de Fernando Collor que, espero eu, está desatualizada por opção. É um site incrivelmente fora de moda (para não usar outra expressão), que abusa de todos os vícios que caracterizavam a internet lá por 2000, 2001. Faltou só o bonequinho do "em construção" para fechar o trabalho com chave de ouro.

Mas encontrei o site da campanha do candidato, o http://www.collor14governador.wordpress.com/. E aí a história é outra completamente diferente. A página é simples, sem muitos recursos, mas que atende, de certo modo, as necessidades para agora. Tem em sua página inicial o blog (caprichando no formato Wordpress) e menus para outras páginas estáticas, como Proposta de Governo, Jingles e a agenda do candidato. Há uma tímida referência às redes sociais, que se enquadra bem no "melhor que nada".

O principal ponto fraco mesmo são os menus que não dão em nada, como o para o Orkut e o das Enquetes. Vale a regra de sempre para a internet - ou atualiza, ou apaga.

Página simples, mas boa - e que serve de exemplo para os candidatos que não fazem um bom site porque "não terem dinheiro". Arrisco dizer que o collor14 custou pouquíssimo aos cofres da campanha do ex-presidente. É só levar a sério a internet e deslocar alguém para atualizar a página. Não tem muito segredo.

Ronaldo Lessa (PDT)
O principal adversário de Collor tem um site bom. O site de Lessa tem um belo design, usa recursos como vídeos e fotos e logo em sua página inicial tem o espaço para cadastramento de newsletter, entre outros aparatos.

Um dos principais destaques está no lado esquerdo, com um grande menu chamando para as mídias sociais - e aí o internauta pode localizar referências a Lessa no Orkut, Twitter, Youtube e outras páginas. Há, inclusive, um site específico para a formação de redes de apoiadores, o Rede Lessa. Muito legal.

Porém, Lessa (ou melhor, sua equipe para a internet) não levam nota 10 por dois motivos: o primeiro é que a visualização da página não é boa para quem usa Firefox ou Chrome. As letras dos textos parecem espremidas, é difícil ler o que está escrito.

E a segunda e, seguramente, maior falha se dá por não se encontrar, ao menos não nos destaques principais, uma referência ao programa de governo de Ronaldo Lessa. Ainda que não de forma estática como o de Collor, seria fundamental para a campanha a presença do programa de governo, e uma boa medida seria fazê-lo por temas - como as divisões entre setores que estão na Rede Lessa. Parece que houve uma preocupação exagerada com as "novidades" da internet e se esqueceu do óbvio, do inicial.

Teotônio Vilela (PSDB)
Baita site! O terceiro colocado nas intenções de voto é que tem a melhor página entre os três principais candidatos em Alagoas.

Resumidamente, a página de Vilela tem todas as virtudes da de Lessa - boa aparência, navegabilidade fácil, acesso a redes sociais, perfil e biografia do candidato - e sem os defeitos que há no site do pedetista.

Mas para não ficar só nos elogios, uma observação: o programa de governo também é jogado de forma estática. E o pior, em um arquivo PDF. O site é tão bem trabalhado, não seria tão mais trabalhoso dividir as ações em núcleos temáticos. Outra coisa que poderia ser melhor feita é a seção de contato - uma listagem com endereços e telefones dos comitês, e contatos da assessoria de imprensa, seria uma boa pedida.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Acre

Por ordem alfabética, é o Acre o primeiro estado a ter os sites dos seus concorrentes ao governo estadual analisados pelo blog.

Mas receio dizer que teremos que esperar o próximo estado para que a análise realmente se concretize. Por um simples motivo: ao menos que as buscas via Google tenham falhado de maneira ímpar, os três candidatos a governador do estado - Tião Viana (PT), Tião Bocalom (PSDB) e Gouveia Tijolinho (PRTB) - não têm páginas específicas para a campanha.

No caso de Tijolinho e Bocalom, nem sequer há uma página oficial sobre eles, e ter informações é algo que se torna complicado. O PSDB local mantém um site - sofrível, é bom que se diga - e essa parece ser uma das poucas ações para a internet que o partido de José Serra tem para o estado. O PRTB do Acre não tem uma página específica.

Tião Viana, que é senador, tem um bom site pessoal. A página é bem completa (apesar de relativamente feinha, merecia um design melhor). Tem o currículo do candidato, depoimentos a seu favor, vídeos, interação com o seu Twitter e uma série de outras ferramentas. Um ponto positivo é a relação completa das atividades de Viana no Legislativo nacional, tornando possível, para o interessado, saber o que ele fez em Brasília.

A página está sem atualizações. Há uma mensagem grande, logo na home - "A partir de hoje, 08/07/2010, não serão postadas novas mensagens" - deixa clara que a inatividade é intencional e se deve ao período eleitoral. Compreensível, mas barbaramente equivocado se considerarmos que, nas eleições de agora, as páginas pessoais dos candidatos podem ser bem mais dinâmicas do que foram em 2008 e têm se tornado um bom meio para o contato com o eleitor. Pelo site que mantém, Tião Viana sugere ser um político preocupado com o uso da internet; só precisaria transpor essa mentalidade também para o período eleitoral.

No fim, chega a ser chato ver o desprezo que a internet recebeu dos candidatos do Acre. Sim, sabemos que a inclusão digital no Brasil não é algo pleno e que o Acre é um dos estados mais pobres da federação, mas isso não justifica o esquecimento dessa ferramenta. Dá para fazer mais, e com algo que traga resultados efetivos.

Ficha
Tião Viana (PT) - www.tiaoviana.com (site pessoal, não direcionado à campanha)

Tião Bocalom (PSDB) e Gouveia Tijolinho (PRTB) não têm sites.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os sites dos candidatos aos governos estaduais

Como são as páginas oficiais dos candidatos aos governos estaduais? A partir de amanhã começarei uma série que tentará responder a essa pergunta. Visitarei os sites dos principais candidatos em todos os estados e analisarei as páginas.

Os critérios a serem avaliados são a aparência das páginas, a quantidade de informações, as ferramentas para interatividade com os usuários, o uso de recursos como fotos, vídeos e links com mídias sociais, e outros aspectos.

Para definir "principais candidatos", a referência são as pesquisas de intenção de voto. Um ótimo levantamento (confira aqui) publicado hoje mesmo pelo Congresso em Foco será uma referência essencial. Se vocês notarem o esquecimento de qualquer candidato relevante, por favor apontem.

Após a eleição de Barack Obama, e a flexibilização da lei eleitoral brasileira, muito peso se colocou na participação dos candidatos nas mídias sociais. São importantes sim, mas o site é a verdadeira porta de entrada, é por onde começa uma campanha na internet.

Vamos ver como os candidatos estão encarando isso.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A frescura em relação ao casamento gay

Uma frase batida, porém engraçada, é aquela que diz que para um cara se assumir gay, precisa ser muito macho. O jogo de palavras se baseia no fato de que o “macho” da frase não faz referências a comportamentos sexuais, e sim ao fato de ter firmeza para tomar uma posição e manter-se situado nela mesmo com os inúmeros questionamentos que aparecerão.

Dá para fazer um paralelo com essa sentença para afirmar que, no Brasil, estão faltando políticos “machos” em relação às suas posturas sobre o casamento entre homossexuais. Ainda mais agora, que o assunto veio à tona, com a recente aprovação da união gay na Argentina.

Como em todos os lugares, há no Brasil gente a favor e contrária à união homossexual. Cada um com seus argumentos, e o respeito à posição dos dois lados é o que configura uma democracia saudável.

Porém, entre os políticos – ao menos os de ponta – há um pensamento que é, de certo modo, hegemônico. É só ver como se portam os grandes candidatos quando questionados sobre o tema. Invariavelmente, o discurso que aparecerá é algo como “respeitamos as diferenças, precisamos incluir essas pessoas, condenamos a discriminação”, e um blábláblá que não se sustenta quando a pessoa é desafiada a chegar ao ponto máximo do tema: que tal lutar pela aprovação da união homossexual?

Sempre que perguntado sobre o tema, o presidente Lula se coloca a favor dos direitos dos homossexuais. O PT tem militância histórica ligada ao tema, e a gestão do presidente será concluída com uma série de medidas benéficas à população homossexual. Mas e a aprovação do casamento? Será que Lula, em oito anos de governo (e maioria no Congresso), não seria capaz de fazer com que isso virasse uma realidade?

Acontece que Lula sabe que o assunto é polêmico. E parte do seu eleitorado é contra a união homossexual. Por isso essa postura incerta – que pode ser ao mesmo tempo elogiada e criticada por ambos os lados.

É compreensível que, como estratégia eleitoral e política, os candidatos a cargos majoritários não queiram ter uma posição mais firme sobre o assunto, buscando sempre um consenso universalmente palatável.

Mas acredito que para os que querem se candidatar ao Legislativo – e não me refiro somente a senadores e deputados federais, que são quem poderia efetivamente atuar nessa questão, mas também a deputados estaduais e até mesmo vereadores – marcar posição é, sim, algo que é, além de honesto, eleitoralmente positivo.

O eleitor quer ser representado. Ele quer que no poder estejam pessoas que pensam de maneira similar a ele. Quer votar em quem, acredita, tem ideais similares aos seus e os utilizará quando estiver com um cargo em mãos. E o candidato que se posiciona de maneira firme em temas relevantes como esse tem mais um capital a seu favor.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre a candidatura de famosos e engraçadinhos

Romário, Mulher-Pêra, Kiko do KLB, Tiririca e tantos outros: as eleições de 2010 terão uma série de candidatos, digamos, exóticos. Além dos famosos por outros ramos que não a política, teremos aquela já tradicional chuva de figuraças durante o horário eleitoral que se passarão a integrar o folclore das eleições.

A aparição dessas pessoas é o gatilho para que críticas ao processo eleitoral - e ao Brasil como um todo - pipoquem por aí. "Eleição virou festa", "só no Brasil mesmo pra um cara desses ser candidato", "e o povão ainda vota nisso", "com certeza um sujeito desses estará eleito"...

Cabem as críticas, está longe de ser errado não gostar de ver gente sem nenhum preparo tentar a carreira política. O problema é que essas observações são, na maioria dos casos, imprecisas.

Pelo seguinte motivo: em geral, essas candidaturas exóticas não dão certo.

É fácil de detectar isso. É só lembrar das eleições passadas, das figuras engraçadas que surgiram por aí, e lembrar de quantos tiveram sucesso nas urnas. São poucos. Pouquíssimos.

Enéas Carneiro, claro, é o exemplo mais célebre. Ele usou como ninguém os 15 segundos de que dispunha em 1989 para ser o terceiro candidato mais votado à Presidência em 1994 e ser eleito e reeleito deputado federal em 2002 e 2006 com votações assombrosas. Não foi escolhido por suas propostas, ideologias ou sei lá o quê, e sim pela imagem folclórica que construiu no horário eleitoral.

Mas trata-se de uma exceção. Em geral, as eleições são amplamente dominadas por candidatos que fazem campanhas sérias. Gente que tem propostas razoáveis - concorde-se ou não com elas - que faz campanha de maneira convencional, que adota um visual tradicional. Nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores por aí, o número de eleitos "engraçadinhos" é muito pequeno. E no Executivo, então, nem se fala - a chance de um "cômico" ganhar uma prefeitura, governo estadual ou Presidência (!) é nula.

É importante expor essa questão por dois motivos. O primeiro é limpar a barra do povão. Afinal, está claro que, não, o povão não "vota em famoso" - os que triunfaram nas urnas são exceções, repito. E o segundo motivo é passar aos candidatos que ter uma candidatura engraçadinha é algo que pode garantir um lugar no folclore, visualizações no Youtube, entrevistas e assim por diante, mas votos mesmo, nome na urna, pouco provável.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sarah Palin: lembra-se dela?

Os EUA podem ter uma mulher eleita presidente da República em 2012. Há um nome forte, que traz um rescaldo positivo da eleição anterior e que tem trabalhado fortemente sua imagem já visando estar com tudo para o próximo pleito.

Hillary Clinton? Esqueça. Estamos falando de Sarah Palin.

Sim, ela mesma, a "folclórica" candidata à vice-presidência na chapa de John McCain em 2008. A que tudo indica, se uma mulher vencerá a eleição presidencial de 2012, é muito mais provável que seja a ex-governadora do Alasca do que a esposa de Bill Clinton.

Sarah Palin tem mobilizado muitos estadunidenses. A Politics Magazine traz dados interessantes: o comitê de Palin tem arrecadado significativas quantias, recursos muito sólidos para uma candidatura que se dará apenas daqui a dois anos. Sabemos que, nos EUA, a quantidade de dinheiro que um pré-candidato dispõe é vital para que seu nome ganhe força. E isso Palin vem mostrando.

Desde que Obama foi eleito, Palin tem buscado se posicionar como uma líder conservadora, uma referência para abrigar todas as pessoas descontentes com as medidas "liberais" que o democrata vem adotando na Casa Branca. Ela foi uma das estrelas das campanhas do Tea Party, série de encontros em que os conservadores se reuniram em convenções, protestos e afins para marcar presença e criticar o governo Obama.

E talvez uma das principais características do discurso de Palin seja justamente este: ela tem um lado definido e posições bem concretas. É conservadora, direitista, representa aquela parte da sociedade dos EUA que, para muitos, estaria acuada pelo triunfo do negro Barack Obama. Mas essa parcela da população existe - e é muito numerosa - e é aí que Palin cresce.

Seu site oficial, o SarahPAC, tem logo à vista um atalho para doações (será que algum dia a política brasileira chegará nesse nível). Interessante também é o logotipo da campanha - um mapa dos EUA com o mapa do Alasca sobreposto. Boa menção à base da pré-candidata - e que não traz o outro estado não-continental, o Havaí, onde nasceu Obama. Intencional?

Palin vai dando largos passos para se consolidar como a candidata republicana em 2012. Seu principal adversário é Mitt Romney, que também vem forte, e tem arrecadado boas somas.

Vale a pena ver o vídeo "Mama Grizzlies", do comitê de Sarah Palin, que traz produção impecável e um discurso bem elaborado e voltado às mulheres conservadoras.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Valendo!

A partir de hoje, a campanha eleitoral está oficialmente liberada: acabou a lenga-lenga da "pré-candidatura" e da hipocrisia que fazia com que candidatos tivessem que maquiar seus discursos e aparições públicas. Hoje todo mundo é candidato, todo mundo faz campanha, todo mundo pede voto.

E o que será a campanha eleitoral de agora? Difícil prever. Há dúvidas sobre ela em dois aspectos.

O primeiro diz respeito à forma. Será a primeira campanha presidencial brasileira pós-eleição de Barack Obama nos EUA e o furor que tal fato causou em relação ao uso da internet - e também o primeiro pleito depois que a lei eleitoral permitiu que a rede fosse mais utilizada. Deve-se também levar em conta a melhoria na qualidade de vida da população, do poder aquisitivo, o que sugere que a utilização das mídias digitais para se fazer campanha é algo em tese mais eficaz. Será que os candidatos saberão lidar com as novas ferramentas? Será que elas terão um peso concreto nas eleições de agora ou ainda ficarão como algo "para o futuro"?

E o outro aspecto, claro, é quanto ao conteúdo das campanhas. Na eleição presidencial, há a candidatura "oficial" que tem como pró a ampla aprovação que tem o governo e como contra o fato de sua candidata jamais ter disputado uma eleição. Dilma tem tudo para vencer - e em primeiro turno. Mas ainda não se sabe como reagirá quando sua imagem for efetivamente massificada. Por outro lado, José Serra tem que se mostrar como diferente de sua candidata, mas com cuidado para não ferir um eleitorado que é, no mínimo, simpático ao governo Lula.

Aos poucos, o blog vai acompanhar a movimentação das campanhas nas ruas e discutir o que tem sido feito por aí. A expectativa é que tenhamos uma campanha mais limpa e qualificada do que as anteriores. Esperemos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"Esse anúncio é um oferecimento de..."

Corre na Justiça dos EUA um projeto de lei para alterar as campanhas eleitorais. Entre uma série de medidas, uma proposta interessante: grandes financiadores terão que ter seu nome divulgado nos anúncios (veja matéria da Politics Magazine a respeito).

A situação norte-americana em termos de financiamento de campanhas é diametralmente diferente da brasileira. Lá, as doações são mais presentes, mais volumosas e, ao mesmo tempo, mais transparentes. Não que aqui não sejam - descontando os casos de caixa-dois, às margens da lei, todas as doações para candiaturas são registradas e disponíveis por consulta pela internet. Mas é que lá a cultura para isso é mais forte, e as doações são mais divulgadas e conhecidas por todos.

Pois bem, a mudança à qual me refiro no início do post teria um efeito dos mais interessantes. Imaginem só: após uma propaganda convencional, de um candidato falando suas propostas ou criticando um adversário, teríamos marcas como GM, Wal Mart, Microsoft ou sei lá o quê dando seu nome, logotipo e cara à tapa como patrocinadores da empreitada.

Eu insisto que doações para campanhas são um belo instrumento para a consolidação da democracia. Todos têm interesse - maior ou menor, é claro - na vitória de algum candidato. Então qual o problema de materializá-lo em uma transferência legal, transparente e honesta de recursos?

E se falarmos de pessoas físicas, então, a questão ainda se amplifica. O cidadão que doa parte de seu salário - ainda que 50, 100 dólares, como o que se viu muito na campanha de Obama em 2008 - a uma candidatura acaba por se interessar mais pelo que acontece. E a democracia ganha com isso.

A proposta ainda está em tramitação na Justiça dos EUA, e não há garantias de que seja aprovada. Se for, causaria uma modificação interessante. Vocês acham que faria sentido uma ação dessas no Brasil?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Marta-Netinho: inédito e desafiador

A Folha Online deu ontem que o PT deve oficializar, nos próximos dias, sua dupla de candidatos ao Senado: Marta Suplicy, ex-prefeita paulistana e uma das principais lideranças do partido no estado, e Netinho de Paula, ex-pagodeiro e atual apresentador e vereador, e filiado ao tradicional aliado PCdoB.

Se confirmada, a dupla fará com que São Paulo veja uma campanha pelo Senado como jamais ocorreu aqui.
Explicando: são duas vagas em disputa na eleição de agora. Tradicionalmente, aqui e em grande parte dos outros estados, as coligações não mandam dois candidatos "de verdade" para a briga. Se teme que um roube votos do outro, e nenhum termine eleito. É mais usual ver um candidato saindo com toda a força (e apoio partidário) e outro que tenha como principal função "compor chapa" e fazer seu próprio nome para eleições seguintes.

Em 2002, o PT lançou em São Paulo, pela sua coligação, Aloizio Mercadante (pelo próprio PT) e Wagner Gomes, pelo PCdoB. Mercadante arrebentou a boca do balão e teve mais de 10 milhões de votos. Gomes? Foi escolhido pelos que queriam votar "PT de ponta a ponta", teve uma até que expressiva marca de 3 milhões de votos, mas nada que impedisse a tranquila reeleição de Romeu Tuma (à época, no PFL).

Quando Netinho começou a se posicionar como pré-candidato ao Senado, se dizia que a opção desagradava ao PT pelo fato dele e de Marta terem eleitorado semelhante. De fato, são dois nomes cuja principal base está na periferia urbana. Há, sim, a tendência que roubem votos um do outro - e aí os candidatos de outros partidos poderiam usufruir dessa vantagem.

Mas Marta-Netinho vão para o pau. E, na minha avaliação, têm totais condições de serem eleitos. O PSDB, aparentemente, não terá um nome dos mais cativantes. Romeu Tuma (PTB), o atual senador, tem atuação discreta e pode estar abalado pelas denúncias que atingem ao seu filho. Orestes Quércia (PMDB) é forte, mas é difícil crer que ele conseguirá captar o voto anti-PT (que, a princípio, é tão forte quanto o pró-PT e tem condições de eleger um nome em uma eleição com dois vencedores).

Se Netinho e Marta ganharem, um novo paradigma para eleições para o Senado estará lançado.

A foto que ilustra o post é de reportagem do Terra sobre as eleições de 2008. Na ocasião, Marta disputava a prefeitura de São Paulo e Netinho tentava ser vereador. Apesar de dois anos passados, a imagem soa mais atual que nunca!

terça-feira, 4 de maio de 2010

É preciso melhorar

A polêmica fajuta da vez é a declaração na qual Dilma Rousseff, falando sobre o livro Vidas Secas, fala sobre "a saída das pessoas do Nordeste para o Brasil". Pretexto para começarem a chamar a candidata de preconceituosa, de alheia, de desconhecedora da realidade nacional e por aí vai.

Bobagem, é claro. Dilma deu só uma derrapada nas palavras, coisa inevitável a quem tem muitas e muitas declarações registradas e disseminadas por aí. Fazer juízo de valor com base nisso é algo sem sentido.

A meu ver, mais "grave" do que a fala de Dilma é o lugar de onde ela foi extraída. É do vídeo abaixo, entrevista sobre cultura com a candidata produzida pela sua equipe para a internet. Vejam:



Cá entre nós: o vídeo é de qualidade sofrível. Dilma - com exceção da frase sobre Vidas Secas - não fala nada de errado, nada que comprometa sua candidatura. Pelo contrário, elenca números e informações sobre o tema sem muita dificuldade.

E é aí que está o erro. Qual a principal dificuldade da candidatura Dilma? É dar à candidata personalidade própria, alma, vigor, fazer com que ela seja interpretada pelo eleitorado como uma pessoa responsável e apta para conduzir o Brasil, e não um fantoche - ou "o Pitta" - de Lula.

Produções como essa reforçam uma Dilma dura, não-espontânea, incapaz de ter uma franca e sincera conversa com o eleitorado. A maneira como ela olha o teleprompter (ou um assessor, ou outro recurso) é feia, errada - ainda mais em um vídeo que, pela sua descrição, pretende ser o registro de "um bate-papo descontraído".

Compreensível para quem faz sua primeira campanha, inaceitável para uma das duas principais candidaturas presidenciais brasileiras. Dilma precisa evoluir.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Trecho Sul do Rodoanel: primeiras impressões

Que o Rodoanel é uma obra importante para o estado de São Paulo, ninguém discute. Tanto que as críticas que o projeto recebe são de naturezas como "poderia ser melhor", "veio tarde", "foi inaugurado às pressas" e por aí vai. Ninguém, rigorosamente ninguém, contesta a necessidade da capital paulista ter um anel viário que una as estradas que a ela cheguem e tire da cidade grande parte do seu tráfego.

O Trecho Sul do Rodoanel foi inaugurado formalmente na terça-feira passada (30) e aberto para circulação na quinta-feira (1).

Hoje, fiz um teste na via. Percorri o Rodoanel da Anchieta à Raposo Tavares, e vice-versa, de manhã e à tarde.

Diariamente, vou de São Bernardo do Campo à Cidade Universitária, onde trabalho. Vou de carro ou ônibus, dependendo das necessidades do dia. Quando vou de carro, sigo um trajeto que se inicia na Rodovia Anchieta e termina na Ponte Cidade Universitária, passando pela famigerada Avenida dos Bandeirantes, uma das mais vitimadas pelo tráfego paulistano. Das quatro faixas da Bandeirantes, duas são habitualmente tomadas por um infindável paredão de caminhões, que vão de Santos ao interior paulista, e vice-versa; e as duas faixas restantes não dão conta do enorme número de pessoas que procura a avenida. O resultado são congestionamentos praticamente incessantes.

A chegada do Trecho Sul do Rodoanel tem por objetivo dar uma nova alternativa aos moradores do ABC que vão a pontos como interior e Zona Oeste de São Paulo e também tirar os caminhões de vias como a Avenida dos Bandeirantes.


Introdução feita, vamos às impressões que tive dessa jornada no novíssimo Trecho Sul do Rodoanel.

Ida
Antes de mais nada, as informações-chave: sim, a viagem pelo Rodoanel é muito mais longa do que a que corta a cidade de São Paulo. O percurso São Bernardo do Campo - Cidade Universitária, pelas vias convencionais, tem 30 quilômetros; hoje, no Rodoanel, andei mais que o dobro. 76 quilômetros, para ser mais exato. Muita, muita coisa.

Porém, a outra informação-chave deixa a questão um pouco mais equilibrada. O tempo que levei para fazer a viagem foi pouco maior do que o que gasto no caminho convencional. 1h20 na ida, uma hora na volta. E, na ida, esse tempo a mais se deve a um acidente ocorrido na Raposo Tavares que deu à região um tráfego muito superior ao habitual para o horário.

Ou seja: em termos de tempo, ir pelo Rodoanel e pelo circuito Anchieta-Maria Maluf-Bandeirantes-Marginal acaba sendo algo similar.

Condições da via
Se pela questão do tempo as duas "viagens" acima citadas são semelhantes, em termos do estilo do percurso a diferença é abissal. Andar pelo Trecho Sul do Rodoanel é uma experiência completamente diferente para quem está acostumado a cruzar semáforos, bairros e vias importantes da capital paulista em seu dia-a-dia. Porque o Rodoanel é uma estrada. E andar por ele é como fazer uma viagem ao interior. Passa-se por trechos demasiadamente longos em que a paisagem do lado é tomada por árvores, montanhas, morros e por aí vai. Natureza, algo que quem está na Grande São Paulo não tem o hábito de ver em seu cotidiano. A impressão que se tem é que a viagem se encerrará em uma cidadezinha do interior. É diferente do habitual, bem diferente.

Falando da pista propriamente dita, o Rodoanel está em condições ótimas. São quatro pistas, com asfalto perfeito, e até mesmo cimento em alguns trechos. Não há curvas perigosas, pontos-cegos nem nada desse tipo. Arrisco dizer que acidentes lá só ocorrerão por falhas mecânicas ou imprudência dos motoristas.

Sinalização
Taí o ponto mais fraco do Trecho Sul do Rodoanel, ao menos inicialmente. Na Avenida Lucas Nogueira Garcez, do centro de São Bernardo, e que é o principal corredor central da cidade rumo à Rodovia Anchieta, não há menções ao Rodoanel. Para quem cai na Anchieta sentido Santos (e só o faz por saber que é lá que está o Rodoanel, já que não há sinalização), as primeiras referências ao anel viário só aparecem nas proximidades das entradas para os bairros Jardim das Orquídeas e Parque Espacial. Só na altura da fábrica da Volkswagen que a sinalização se faz presente e o motorista é bem informado que, sim, aquele caminho leva ao Rodoanel.

Logo após deixar a Anchieta e entrar efetivamente no Rodoanel, o motorista vê placas informando sobre a distância até as rodovias dos Imigrantes, Régis Bittencourt e Raposo Tavares. A dica é decorar bem as distâncias que lá são informadas, porque... não há outras menções ao longo do caminho. A não ser que eu tenha me enganado, simplesmente não se vê nenhuma outra referência a quanto falta percorrer para se chegar nas estradas ligadas pelo anel.

Também não há sinalização sobre as possíveis entradas/saídas que há do Rodoanel aos lugares por ele cortados. Com exceção das placas de divisas de municípios (e são tantas, já que da Anchieta até a Raposo Tavares se passa por São Bernardo, São Paulo, Itapecerica da Serra, Embu, Cotia, Osasco e novamente São Paulo), não se informa ao motorista onde ele está situado.

A chegada ao Trecho Oeste também é feita com relativa "surpresa". Após tanto tempo vendo apenas mato e a água das represas Guarapiranga e Billings, o motorista começa a ver sinais de relativa civilização e subitamente é informado que as saídas para Régis Bittencourt se aproximam. Caberia, ao meu ver, mais uma sinalização prévia, para evitar mudanças bruscas na atitude dos condutores.

Trânsito
Minha entrada no Rodoanel, saindo da Anchieta, se deu por volta das 9h20; às 10 horas eu estava na Raposo Tavares. Nesse período, o tráfego que testemunhei, tanto de carros quanto de caminhões, foi muito pequeno. Nem de longe houve uma modificação que pudesse sugerir a ocorrência de qualquer sombra de congestionamento. Observei isso nos dois sentidos.

Provavelmente, efeito da novidade que ainda é a via; certamente há muitos motoristas que não sabem que ela foi inaugurada, ou que não têm noção de sua rota. Vejamos como essa questão ficará à medida em que o Trecho Sul do Rodoanel for sendo mais conhecido.

Volta
Inicialmente, meu plano era fazer a jornada Cidade Universitária-São Bernardo no período da noite. Mudança de planos no meu dia profissional fizeram com que eu decidisse voltar para casa de tarde, deixando a Cidade Universitária por volta das 16h30.

A princípio, já se vê aí mais um benefício da existência do Rodoanel. O fato da via não cortar regiões centrais de São Paulo faz com que ela não integre as regiões onde vigora o rodízio de carros e caminhões. Ou seja: caminho liberado para quem precisa circular entre 7/10 e 17/20 horas nos dias de semana.

Condições da via
As observações feitas no percurso de ida se aplicam também ao da volta - ou "pista externa", como é chamada a que sai da Raposo e vai para as estradas litorâneas. A condição do asfalto/concreto é perfeita.

Além de falhas humanas, outro ponto que pode ser um possível causador de acidentes são as condições climáticas. O Rodoanel está situado na Serra do Mar e, portanto, tem o clima típico da região - caracterizado por garoa e serração, especialmente ao entardecer. É preciso que o motorista tenha atenção redobrada.

Sinalização
Mais uma vez, repetem-se as críticas. E com aspectos adicionais.

O primeiro foi detectado logo na Raposo Tavares. Quando o motorista sai da Raposo e entra no acesso ao Rodoanel, se vê obrigado a escolher entre duas opções: ou pega o caminho que o leva a Bandeirantes/Castello Branco ou... Régis Bittencourt. Cadê a menção à Anchieta e à Imigrantes? Ou, de maneira ainda mais didática: por que não se cita ali as cidades de São Bernardo, Santo André, Mauá e Santos, prováveis destinos de quem pega o Rodoanel naquele sentido? Sugere-se que a obra foi entregue e o Trecho Oeste ainda não foi sinalizado para tal. O motorista que conhece menos o caminho pode se complicar.


Em todo o caminho que percorri, não vi placas trazendo aos motoristas a distância até as rodovias que quer alcançar. Ou seja: o condutor entra no Rodoanel e segue ad eternum até chegar ao ponto que precisa.

Há também outro problema em relação à sinalização. Mas esse ataca muito mais a língua portuguesa do que a segurança dos condutores. Em mais de uma ocasião, a cidade de Embu tem seu nome grafado como "Embú" e Itapecerica vira "Itapecirica". Infelizmente, não consegui fotografar as pérolas. Feio, muito feio, hein?

Trânsito
O horário no qual fui para São Bernardo era mais propício ao aumento na circulação de veículos, e foi o que encontrei. Mais uma vez, nada que sugerisse um congestionamento; mas um grande número de carros e caminhões, especialmente em direção ao Trecho Oeste (oposta da qual eu seguia).

Acho improvável que o Trecho Sul, ao menos antes do início dos pedágios, tenha tráfego pesado.

Observações gerais
O que verifiquei nessa primeira experiência foi um Rodoanel em ótimas condições. Que tem como principais falhas a sinalização ainda insuficiente e a falta de pontos de parada para os motoristas. Não há um único posto de combustível, lanchonete ou qualquer outro ponto de apoio para quem está na via. Pode-se dizer que isso é uma opção, que o Rodoanel não pode ter as características de uma estrada normal, mas certamente esses itens farão falta ao longo do tempo em que o trecho for sendo mais usado.

Cabe dizer: o Trecho Sul ainda não tem pedágio. O motorista que sai da Anchieta e vai para a Raposo Tavares só pagará pedágio (de R$ 1,30) quando acessar a Raposo; e quem vem da Raposo rumo às litorâneas pagará R$ 1,30 logo após ingressar no Rodoanel propriamente dito. São R$ 2,60 no total.

Há umas três ou quatro praças de pedágio em construção ao longo do Trecho Sul. Elas estão localizadas em pontos como a saída de Anchieta e Imigrantes. Acredito que, quando todas estiverem em operação, o motorista pagará dois pedágios na ida e dois na volta em todo o trajeto.

Conclusão
Meu veredicto final (ou inicial, já que foi minha primeira jornada pelo Trecho Sul): o Rodoanel é ótimo, mas não se converterá no meu caminho de dia-a-dia. A distância mais que o dobro da convencional faz com que o consumo de combustível seja superior. Isso, acrescentado aos pedágios que já existem e aos que existirão, faz com que o caminho não seja propriamente muito econômico.

Encaro o Rodoanel como uma alternativa. Para aqueles dias em que São Paulo está um verdadeiro nó, em que ninguém anda na Bandeirantes, em que todas as alternativas estão tomadas, em que só os motoqueiros - e olhe lá - conseguem circular.

E, claro, espero que o Rodoanel absorva o tráfego dos caminhões e seja a válvula de escape que São Paulo tanto precisa.

E vocês? Já passaram por lá? Concordam ou discordam dessas minhas avaliações? Contem o que acharam!

Fotos: Olavo Soares

A eleição paulista mais emocionante em 2010

Com os nomes já postos à mesa, já não vivemos mais aquela fase da especulação sobre quem serão os candidatos aos determinados cargos. Agora é hora de se debruçar sobre pesquisas e análises para ver como andarão os nomes já apresentados pelos partidos.

A situação faz com que em São Paulo a eleição para o governo estadual seja transformada, até terceira ordem, num baita marasmo. Como José Serra foi confirmado o candidato tucano à Presidência da República, não tentará a reeleição ao governo; e o PSDB não deu bola à possíveis pressões internas e confirmou o nome de Geraldo Alckmin. Tarimbado, bem-visto pelo eleitorado paulista, Alckmin será eleito novamente e tem tudo para levar a fatura no primeiro turno.

O PT lançará Aloizio Mercadante para disputar com o ex-governador. Apesar de ser uma candidatura mais lógica, mais coerente e mais respeitável que a de Ciro Gomes, está fadada ao fracasso. Há quem diga que o PT precisa repetir candidaturas para ter sucesso na busca pelo controle do estado; já eu avalio que Mercadante abrirá mão de uma tranquila reeleição ao Senado para apanhar feio de Alckmin e prejudicar sua reputação política.

O prejuízo não ficará pior para o PT porque, pelas pesquisas que têm sido divulgadas, o partido tem tudo para faturar com facilidade uma vaga no Senado. E na pessoa de Marta Suplicy - ex-prefeita paulistana que, embora tenha deixado o cargo bem-avaliada, fracassou na busca de sua reeleição e também na tentativa, em 2008, de retomar o cargo.

Os números são impressionantes e deixam claro que Marta vencerá, sim, a eleição (e formará uma interessante bancada ao lado de seu ex-marido Eduardo - caso único na política nacional?).

O bicho pegará para a segunda vaga - e é ai que entra a "emoção" que cito no título do post.

Pelo levantamento do Datafolha, Romeu Tuma (DEM, o atual senador), Orestes Quércia (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB) e Soninha (PPS) estão próximos entre si, com vantagem para os dois veteranos.

O que Tuma e Quércia têm de superior em relação a Netinho e Soninha é justamente o fato de representarem um eleitorado mais à direita, que talvez não queira abrir mão de se ver representado no Senado - Aloysio Nunes (PSDB), que poderia ser o outro nome dessa categoria, não tem um bom desempenho e é difícil imaginá-lo indo muito mais além do que o registrado atualmente (o fato de ser o nome dos provavelmente vitoriosos em São Paulo Alckmin e Serra não muda muita coisa - é só ver o desempenho pífio que José Aníbal teve em 2002).

Por outro lado, o potencial de crescimento de Tuma e Quércia é menor que os de Netinho e Soninha. Tanto Tuma quanto Quércia são velhos na política e não é muito crível imaginar que seus eleitorados possam evoluir muito. Netinho e Soninha desfrutam de uma fama à parte da política que pode contribuir, e muito, para que eles voem mais nessa caminhada.

Taí uma eleição que tem tudo para ser decidida voto a voto.

terça-feira, 23 de março de 2010

Bola fora demagógica

Repercute notícia divulgada hoje em vários veículos sobre uma decisão da coordenação da candidatura de Marina Silva (PV) à presidência: a da não-contratação de um "marqueteiro" para a campanha. "A gente não acha que a imagem da Marina deva ser transformada ou vendida como um produto", é a declaração de Alfredo Sirkis, vereador do Rio de Janeiro e coordenador da campanha de Marina.

As falas de Sirkis e Marcos Mroz, também coordenador da campanha e citado no texto, sugerem que a campanha de Marina primará pela "naturalidade". Uma espécie de oposição à candidaturas "artificiais", "impostas", "fajutas" ou qualquer outro adjetivo similar.

Cá entre nós: a decisão - ou melhor, seu anúncio - só não é uma bobagem completa porque pode ter algum impacto eleitoral, por menor que seja.

Em primeiro lugar, pelo que segue no texto: No lugar do marqueteiro, haverá uma equipe de vários profissionais de comunicação. "Estamos trabalhando com tudo o que os outros terão. Teremos pesquisas, diretor de arte, redator etc. Só não teremos um cara acima do bem e do mal", diz Marco Mroz, outro coordenador da campanha. Ou seja: a campanha de Marina não será a "espontaneidade" toda que sugerem Sirkis e Mroz ao anunciar a decisão. Será uma campanha comandada por profissionais, baseada em suas decisões, em pesquisas, em levantamentos - ou seja, em marketing. Por mais que não haja um "marqueteiro" (ô palavra feia!), será, sim, uma campanha que terá o marketing como ferramenta das mais importantes.

E, pra completar, entristece ver gente importante como os coordenadores de duas campanhas de peso se referindo assim ao marketing político. Achei que já tivesse passado o tempo em que o marketing político fosse equiparado ao "vender sabonete", alegoria sempre citada quando se quer apedrejar a atividade. Não há democracia forte sem um marketing político consistente - ou é preferível que as boas ideias estejam restritas aos porões das casas de seus criadores? Marketing político é pensar uma melhor forma de comunicar a política, de se levar ideias aos eleitores, de aprimorar o contato.

Há gente que usa o marketing político pra maquiar pessoas ruins e enfiar maus candidatos pela goela dos eleitores? Evidentemente que há. Mas resumir o marketing político a isso é triste. E fazer demagogia com base nessa assertiva é tão triste quanto.

Emenda Ibsen, pré-sal e políticos paulistas

O assunto da política nacional é a questão do pré-sal - mais especificamente, a divisão de seus royalties -, por conta da emenda Ibsen, que prevê uma distribuição mais equalitária dos recursos em detrimento de uma proposta anterior, que beneficiava os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Sem querer entrar no mérito técnico da coisa - até porque, para ser sincero, ainda não formulei opinião precisa a respeito -, gostaria de avaliar o caso e seus desdobramentos para os políticos paulistas nas eleições de 2010.

Meu amigo Walter Martins escreveu que a questão, apesar das perdas financeiras, acabou sendo benéfica para o governador fluminense, Sérgio Cabral Filho. Walter tem razão; ao mostrar poder de mobilizar as pessoas de seu estado, Cabral se posiciona como líder e angaria (ainda mais) a simpatia das pessoas do seu estado.

Trago a coisa para o lado de cá da Via Dutra. Para nós, paulistas, a questão não tem o mesmo impacto que tem para a população do Rio - ainda que, obviamente, seja das mais relevantes.

O que eu acredito é que um candidato paulista precisa ter uma posição firme sobre a questão. Não acho que exista um caminho mais ou menos certo, em termos eleitorais; não arriscaria dizer algo como "ser a favor da emenda Ibsen traz mais votos" ou coisa parecida. Isso não faria sentido.

A questão é que o paulista - assim como qualquer brasileiro - quer ser representado por alguém que tenha convicções semelhantes às suas. As pessoas estão formulando opiniões sobre o caso e gostariam de vê-las tendo eco nos congressistas a quem elegeram.

Para quem vai se candidatar em 2010, o caminho a respeito da questão do pré-sal está delimitado por aí: criar com base nos acontecidos uma postura e defendê-la. Por exemplo, escrevendo artigos ou sendo fonte de entrevistas a respeito - a imprensa sempre quer ouvir a opinião de líderes políticos a respeito dos temas em relevância, colocar-se como um deles é algo que traz resultado.

Repito: o eleitor quer ser representado, quer votar em alguém que pensa como ele. Mostrar que se é uma dessas pessoas é a iniciativa ideal.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Lula, absurdamente Lula

O Ibope divulgou hoje a mais nova pesquisa com as intenções de voto para a disputa presidencial. O levantamento era dos mais esperados - afinal, ele determinaria a "chegada" de Dilma Rousseff ou mostraria que José Serra ainda é favorito.

Os números estão no blog do Fernando Rodrigues: Serra ainda lidera nas pesquisas estimuladas. Sua diferença para Dilma é, hoje, de 5 pontos. A pesquisa aponta que a candidatura de Aécio não desfruta de nenhum alicerce e que Ciro e Marina se consolidaram mesmo como nomes intermediários - gozando das benesses e problemas que tal condição traz.

Mas o mais interessante do levantamento não são os resultados das pesquisas estimuladas, e sim das espontâneas. E é com base nesses valores que o PT pode fazer uma baita festança para comemorar os resultados.

Qual o candidato que os brasileiros mais gostariam de votar para presidente? Acertou quem disse Luiz Inácio Lula da Silva! O atual presidente tem 20% das respostas na pesquisa espontânea. Um quinto do eleitorado nacional. E em segundo lugar vem Dilma Rousseff, com 14%.

Ou seja: mais de um terço dos brasileiros votariam no PT para a presidência hoje, em uma resposta espontânea. Isso é muita, mas muita coisa. Imensamente mais do que os 35% que Serra tem na pesquisa estimulada - na espontânea, o tucano tem apenas 10%, e é o terceiro colocado.

É claro que a exposição pública de Dilma em comparação à retração de Serra explicam parte desses números. Por outro lado, é bem difícil crer que quando Serra se lançar às ruas ele conseguirá reverter esses patamares.

Ainda há muita coisa para acontecer nessa campanha. Mas nunca a vitória de Dilma - e de Lula, e do PT - se mostrou tão tangível.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A vez do PSB

Ontem foi a vez de mais um partido com pré-candidato à presidência exibir seu horário eleitoral gratuito - o PSB de Ciro Gomes. Taí a peça:



Há muito o que se observar no programa. Pontos muito positivos, alguns negativos, e outros que deixam no ar algumas questões.

Entre os pontos positivos, está a precisa participação de Ciro Gomes. Ciro aparece como figura principal, mas de maneira mais sutil e mais bem-feita do que ocorreu com Dilma e Marina nos horários de PT e PV, respectivamente. Natural: dos quatro pré-candidatos à presidência, Ciro é, com sobras, o de melhor oratória e o que mais teria condição de conduzir um programa publicitário.

Então o "deputado" (é estranho chamá-lo assim) falou bem sobre as conquistas do governo Lula, deixou claro que foi fiel ao presidente e que defende a manutenção de suas conquistas. Acho que a maior riqueza do vídeo está justamente em seu início, quando ele cita o "Fla-Flu partidário". Ciro sugere que as disputas eleitorais no Brasil não podem se resumir à briga PT-PSDB e coloca o PSB - ou melhor, coloca a si próprio - como a melhor alternativa para isso.

Mas aí vêm os defeitos do vídeo. O maior deles é o excesso de sotaque nordestino. Calma, calma, não tô sendo racista. Só quero destacar o fato de que o Brasil é mais que o Nordeste. Alguém viu na peça alguma menção - por menor que seja - aos três estados do Sul do Brasil?

Não se pode esquecer que, em 2006, Lula perdeu nos três estados do Sul. E é lá que está a população menos simpática a algumas das políticas sociais do governo Lula. O programa do PSB simplesmente ignora a porção setentrional do nosso país e serve de argumento para que parte das pessoas de lá falem que o governo federal só "explora" os três estados.

É claro, é óbvio que isso se explica pelo fato do PSB não ter nenhum governador na região. Mas certamente têm lideranças gaúchas, paranaenses e catarinenses que poderiam aparecer no programa e dar um caráter mais nacional ao vídeo.

De certo modo, o PSB deixa clara qual será a sua linha de campanha caso Ciro Gomes efetivamente dispute a presidência. Ciro é bom, muito bom de discurso - repito, melhor que Marina, Dilma e José Serra - e tem tudo para dar uma bela dor de cabeça ao bipartidarismo que se sugere no pleito. Mas ainda há o que evoluir.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Briga boa

Vem do Pará uma notícia interessante: o PMDB local teria oficializado sua ruptura com a gestão de Ana Júlia Carepa (PT), a quem apoiara na eleição de 2006, e por consequência teria também confirmada a ideia de lançar uma candidatura própria para o governo do estado.

O nome peemedebista para a disputa? Ninguém menos que Jáder Barbalho.

A informação aponta ainda que a candidatura de Barbalho teria como principal fiador o presidente nacional do PMDB, Michel Temer.

Ao que tudo indica, Ana Júlia Carepa não desistiria da disputa.

O que levaria a uma disputa "fratricida" dentro do estado - fratricida porque, apesar de rivais, Carepa e Barbalho dariam seus palanques para a candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Ou seja: ainda que o bicho pegue em proporções astronômicas, a beneficiada será a indicada de Lula para o Planalto.

Se por uma eventualidade a tentativa de reeleição de Ana Júlia não decolar, os petistas do estado talvez se vejam obrigados a endossar a candidatura de Jáder Barbalho. E aí no Pará se desenrolará um cenário análogo ao do Maranhão: o PT local tendo que beijar a mão de antigos oponentes, algo de deixar enrubescidos os petistas históricos da região.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Hipocrisia que prejudica

O PV veiculou ontem seu programa partidário gratuito - aqueles dos quais os partidos dispõem e que, teoricamente, servem para que as legendas exponham suas diretrizes gerais, sem enfoque em um ou outro candidato. Vejam a peça:



Taí, belo "programa partidário", hein? A obra é uma propaganda descarada da pré-candidatura da senadora Marina Silva (AC). Um escritinho "vote Marina, número 43" no final é o que bastaria para que o filme se convertesse em um esquete perfeito do horário eleitoral, sem que nenhuma outra alteração fosse necessária.

Não chego a condenar os verdes por isso. A campanha de Marina não é a única na rua. Nem a mais explícita; Dilma Rousseff tem inaugurado até recapeamento de asfalto e esteve ao lado de Lula inclusive na ocasião em que o presidente deixou o hospital de Pernambuco no qual esteve internado (ainda que o TSE não entenda as ações como propaganda). O PSDB segue um pouco mais tímido - até porque o próprio partido ainda não conseguiu fechar, de maneira "redonda", a candidatura de José Serra.

Ao meu ver, o que Dilma, Marina e em breve José Serra estão fazendo pode suscitar outra discussão: até que ponto cabe essa hipocrisia de "pré-candidatura"? Por que a lei não pode permitir que o PV ou o PT exponham, com todas as letras, que têm nomes para a disputa presidencial? Pode-se alegar que ambas as candidatas têm mandatos (assim como José Serra) em curso, e que por isso têm atribuições específicas a cumprir; faz sentido, mas a restrição também se aplica a quem não tem mandato nenhum e pode se dedicar de corpo e alma a uma campanha.

Acho que seria melhor para todos os envolvidos - e para a democracia - se as candidaturas pudessem ser colocadas na mesa de forma transparente. Para que o eleitor pudesse, desde já, ir formando sua consciência e tendo ideia de como direcionará seu voto. Essas hipocrisias do período pré-eleitoral são chatas, bem chatas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O palestino que quer governar o Texas

A revista Politics Magazine, uma das mais famosas do EUA na área de campanhas políticas, divulgou na sexta passada os vencedores do Reed Awards, premiação que entrega àqueles que, na avaliação da revista, fizeram as melhores campanhas eleitorais no ano passado.

De cara, é interessante para nós brasileiros vermos as diferenças monstruosas que há no fazer política lá e aqui. Enquanto no Brasil a coisa é ainda tímida e restrita aos períodos eleitorais, nos EUA a atividade (como tudo por lá, aliás) é viva e se movimenta em diversas dimensões. O Reed Awards deu prêmios, por exemplo, para os melhores "vilões" e as campanhas mais "duras". Alguém imagina isso no Brasil?

Na categoria melhores anúncios para a TV, um prêmio chama a atenção. Foi o destinado à campanha de Farouk Shami. Vejam o anúncio:



Não chega a ser nada exatamente inovador. Mas, com uma googlezada rápida, vemos que Farouk é uma figura interessante e que seria digno de muitas, muitas análises.

Uma única característica de Farouk já justifica seu aspecto curioso: ele é palestino. E nascido na cidade de Ramallah. Tá bom ou quer mais?

É (obviamente) naturalizado americano e construiu sua fama no Texas como um bom empresário. Assim, inclusive, que alicerçará sua campanha - "as big as Texas" é o seu slogan, sugerindo que como governador fará pelo estado o mesmo que faz em suas empresas.

Ainda faltam muitas etapas para que Farouk efeitvamente governe o segundo estado mais populoso dos EUA. A primeira delas é vencer a disputa pela indicação do Partido Democrata para que ele seja o candidato da sigla. A eleição propriamente dita acontece apenas em novembro (aliás, isso também sugere outro tema para debate - os EUA têm essa transparência de se colocar uma pré-candidatura na rua, ao contrário da hipocrisia do "estou à disposição do partido" que reina no Brasil).

Mesmo que não seja o vitorioso, é interessante pensar que é viável imaginarmos que um palestino pode governar o Texas. Curioso.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A candidatura Gabeira é mais do que um "palanque de Serra"

Os jornais noticiam hoje que o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) topou sair candidato ao governo de seu estado. A aliança que sustentará sua candidatura deverá também ter a participação de PSDB, PPS e DEM.

A notícia é importante pelos vários desdobramentos que a cercam. O primeiro é que, vencendo ou perdendo, se realmente se confirmar candidato Gabeira não estará no Congresso a partir de 2011. Nos últimos anos, Gabeira tem sido um dos deputados de maior relevância na Câmara e se tornou uma espécie de "farol ético" na casa - principalmente após seu quebra-pau com Severino Cavalcanti.

É também surpreendente a participação de Gabeira na disputa pelo governo porque seu nome era dado como certo ao Senado - o próprio deputado havia dado declarações dizendo que não concorreria ao governo porque não teria como fazer frente à candidaturas mais estruturadas, principalmente à do atual governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Mas, em nível federal, a principal consequência do anúncio de Gabeira será o peso de sua candidatura à corrida presidencial. Os partidos que devem apoiar o seu PV são os "três mosqueteiros" da oposição a Lula, e comporão a chapa de José Serra na disputa ao Planalto. Com a confirmação da aliança, Serra terá o famigerado "palanque estadual" que os tucanos temiam que não ocorresse no Rio.

Sabemos que o sucesso de uma candidatura não necessariamente leva a outra candidatura aliada a também desfrutá-lo. Ou seja: ainda que Gabeira arrebente na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, não se pode afirmar que José Serra também terá boa votação no estado. Claro que uma coisa não é totalmente incompatível da outra, mas também não é tão automática como muitos pressupõem. Serra terá que ralar no estado da segunda maior cidade do Brasil, até porque a popularidade de Lula por lá é das mais fortes.

Mais do que um "palanque para Serra", o principal resultado da aliança Gabeira-trinca oposicionista é a possibilidade de ver a união PV-PSDB-DEM-PPS se repetindo no plano federal. Muito se fala que a pré-candidatura de Marina Silva seria uma espécie de "suporte" ao projeto de José Serra; e até mesmo a possibilidade da senadora se inscrever como vice do paulista tem ganhado corpo. Agora, com o principal expoente do PV se unindo aos partidos de oposição na disputa por um governo estadual, as especulações fazem mais sentido que nunca.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sobre o filme do Lula... ou melhor, o filme e o que o cerca

Quando tomou corpo o fato de que estava sendo produzido o "filme do Lula", muitas análises já começaram a pipocar por aí. Elas ficaram ainda mais fortes quando se divulgou que o filme estrearia no início de 2010, ano em que o Brasil elegerá justamente o sucessor do atual presidente da República. Tornaram-se mais presentes quando o filme iniciou sua materialização em traillers na internet e nos cinemas. E agora, quando o filme já está em circuito comercial e pode ser visto por todos os interessados, estão abertas a quem queira fazê-las.

Grande parte delas não tem como objeto Lula, o filho do Brasil, e sim a carreira política do presidente e a eleição que determinará quem o sucederá. Ou seja: mais do que discutir o filme em si, o que mais se fala da obra é o contexto que a cerca.

Inevitável, claro. Lula não é o primeiro presidente/líder político a ter sua carreira retratada na dramaturgia. Nem mesmo no Brasil: há poucos anos, JK fazia sucesso na Rede Globo. Mas o filme é uma exceção por se tratar de uma personalidade política no auge de sua carreira. Ainda que a história contada na obra se encerre muito antes de Lula ser o que é hoje, e ainda que o atual presidente não dispute eleições em 2010, é uma situação, digamos, desconfortável.

Assisti ontem ao filme. Para não cair no senso comum de escrever laudas e laudas sobre a influência da obra sem conhecê-la.

E saí do cinema com a seguinte opinião: é pouco provável que Lula, o filho do Brasil influencie a corrida eleitoral de 2010. Não é preciso dizer que Dilma Rousseff nem nenhum outro pré-candidato deste ano não chega a ser sequer citado na obra - ou seja, uma relação direta não pode ser estabelecida. O máximo que a obra pode fazer é impulsionar um pouco mais o prestígio de Lula - o que, no cenário atual, no qual esse prestígio já está pra lá de elevado, não chega a ser uma consequência das mais determinantes.

Num Brasil em que não se consegue definir a inteligência do povo - ou melhor, se atribui inteligência ou burrice popular de acordo com o que queremos que o povo pense - a distância entre "assistir o filme do Lula" e "votar na Dilma" parece ser maior do que muitos consideram.

Talvez seja o caso de pensar no que o filme pode fazer em relação à corrida eleitoral de 2014 - quando, para muitos, Lula tentará a todo custo recuperar a presidência, para suceder seja sua cria Dilma ou um opositor. Mas ainda há muito chão até lá. E não falam que o brasileiro é um povo sem memória?

Sobre o filme em si, cabe destacar também a impecabilidade da produção, a atuação magistral de Rui Ricardo Diaz (o que pode ser um fardo para o ator) e, falando de maneira bem pessoal, um "orgulho bairrista" de ver as para mim tão comuns paisagens de São Bernardo retratadas em gravações de alta qualidade.

Ah, e pra fechar: um dos momentos mais importantes do filme acontece ainda antes do seu início, em uma citação que talvez não possa ser vista pelos adeptos de cópias piratas. Na tela preta do cinema, caracteres aparecem com soberania e autoridade para dizerem que "o filme foi produzido sem o apoio de leis de incentivo, graças ao apoio de patrocinadores". Interessante. Bem que mais grandes produções nacionais poderiam seguir a trilha, e não apenas um ligado ao universo político, não?