quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A primeira marca do governo Dilma

Foram anunciados na semana passada os novos logomarca e slogan do governo federal. Eles substituem o "Brasil - Um país de todos" que, intocado durante os oito anos da gestão Lula, às vezes parecia mesmo uma marca de Estado, e não de governo. Oito anos não é pouca coisa. Confira:

Agora vamos às opiniões. Aliás, antes delas, uma contextualização. Como disse o amigo Alan Kardec Borges no Voto é Marketing, em post de 2009, logomarca e slogan costumam figurar entre as prioridades dos políticos que assumem seus mandatos. As peças estabelecem um dos primeiros sinais de uma mudança real, tangível; o cidadão que se depara com uma obra (ou propaganda na TV, ou qualquer outra coisa relacionada) que traz a nova identidade visual percebe que a administração se modificou, que há um novo governo em curso. É, por isso, vital.

(Pequeno parêntese: não sei como funciona em outros países, mas aqui no Brasil acredito que haja um pequeno abuso na utilização das logomarcas. A cada quatro anos, uma cidade/estado/país está sujeita a ter sua identidade visual por completo, e aí lá se vão consideráveis somas de dinheiro para adaptação aos novos padrões. Sem contar os logotipos que se utilizam, sem muito disfarce, das marcas dos partidos do governante da ocasião. Mas isso é uma opinião pessoal, que não serve para mudar o quadro atual. Prossigamos.)

A nova logomarca do governo federal, intencionalmente, traduz o que Dilma Rousseff propôs o tempo todo em sua campanha - continuidade, mas com um toque pessoal e de evolução. É o que se observa. A peça é, de certo modo, parecida com a do governo Lula (ao lado). Prosseguem as letras grandes, o "BRASIL" em caixa alta, exposto de maneira horizontal.

Onde se vê a diferença - e gritante - é no uso das cores. A logomarca de Dilma é mais sóbria do que a de Lula, e bem menos ousada. Enquanto a do governo anterior abusava de cores distintas, para reforçar mesmo a ideia da pluralidade, a atual fica no verde-amarelo, com o losango da bandeira nacional exposto sobre o A de Brasil. Fica a impressão que a nova marca quer ser vista como mais séria, mais "disciplinada" que sua antecessora. Comparação pura e simples? A de Lula ganha. Em duas palavras (ou é uma só por conta do hífen?), é possível definir a marca atual como sem-graça.

Quanto ao slogan... bem, aí arrisco dizer que a gestão anterior ganha, e de goleada. "Um país de todos" é uma frase simples, direta, precisa e de muito conteúdo. Lula assumiu o poder pregando a inclusão, e fez disso a marca de seu governo. "Um país de todos" traduz essa filosofia como talvez nenhuma outra marca conseguiria.

"País rico é país sem pobreza" é, também, outra tradução de uma meta de governo - já que o Brasil se tornou mais "rico" e "desenvolvido" nos últimos anos, é hora de transformar essa condição em uma melhoria efetiva na qualidade de vida dos brasileiros, acabando com a pobreza. Até aí tudo bem. O principal problema está no fato da frase ter, digamos, pouco apelo publicitário. "País rico é país sem pobreza" é uma frase mais longa, mais rebuscada, que não soa tão imediata quanto "Um país de todos". Além de ter um caráter meio até de certo modo marcial - parece um lema de exército, uma declaração de fé, um trecho de hino. Quebrou a "simpatia inclusiva" da marca anterior para uma pegada mais agressiva, mais forte.

As intenções da marca são boas - como já dito, frase e logotipo reforçam bem a ideia da continuidade com progressão. Mas talvez a escolha das peças pudesse ser feita com mais capricho. É claro que não é isso que determinará (e nem de longe!) o sucesso ou fracasso do governo Dilma, mas um pouquinho mais de qualidade viria bem.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Já conhece o Partido Militar Brasileiro?

Em novembro, joguei aqui uma dúvida no ar sobre como seria um "Tea Party brasileiro". O post da ocasião foi inspirado pelo sucesso que o movimento ultraconservador Tea Party, liderado por Sarah Palin, estava (e ainda está) fazendo nos EUA. Questionei o fato do Brasil não ter um partido político assumidamente de direita.

E parece que a resposta foi encontrada: no final de janeiro, uma convenção nacional foi o impulso que faltava para a consolidação da ideia do Partido Militar Brasileiro (PMB). Agora, o PMB aguarda os trâmites burocráticos para ser juridicamente um partido político e já disputar as eleições de 2012.

(Curiosidade: se realmente utilizar a sigla PMB, o Partido Militar Brasileiro trará de volta ao cenário político o acrônimo do Partido Municipalista Brasileiro, que existiu durante a década de 1980 e cujo feito de maior notoriedade foi ter atraído Silvio Santos para a campanha presidencial de 1989, em candidatura que viria a ser cassada.)

Como já falei naquele post sobre o Tea Party e em outras ocasiões, acho, sinceramente, que faz falta ao Brasil um partido que se assuma de direita, que não tenha medo de encampar a bandeira do conservadorismo. Não são as minhas ideologias, mas acredito que faz bem ao Brasil saber quem defenda essas posturas.

O que há, hoje, são pessoas de direita pulverizadas entre as inúmeras siglas, que defendem uma ou outra causa direitista durante as campanhas eleitorais, de maneira difusa.

E há muitos partidos no Brasil? Sem dúvida! Mas o PMB - se cumprir o que está prometendo - será um partido que "valerá", que terá uma razão de existir. Tal qual PCO e PSTU, seus inversos ideológicos, defenderá uma causa que não é contemplada por outras siglas. O problema do excesso de partidos no país não tem a ver com as siglas do tipo do PMB e das pequenas de esquerda, e sim das dezenas de partidos fisiológicos com base programática nenhuma e que só servem como balcões de candidatura.

Um aspecto interessante sobre o PMB é que ele tende a ser o partido brasileiro com a maior proporção de mulheres entre seus filiados - como, pela lei atual, os militares não podem participar de partidos políticos, é possível que suas esposas entrem na sigla e a administrem, como ocorre com os sindicatos da categoria.

Veja mais a respeito no site do Partido Militar Brasileiro, e vá formulando sua opinião.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Freakonomics e o tostines eleitoral

Estou lendo Freakonomics, livro de 2005 escrito por Steven Levitt e Stephen Dubner que já tem um quê de clássico. Virou sucesso instantâneo, gerou sequências (e obras nele inspiradas) e deve estar garantindo um bom rendimento aos seus autores.

Em síntese, o que o livro traz é uma série de pesquisas produzidas por Levitt que buscam contestar algumas verdades absolutas e apresentar relações entre fatos aparentmente distantes entre si. Por exemplo: lá se diz que a probabilidade de uma criança morrer em uma casa com piscina é muito maior do que a que há em uma casa com uma arma de fogo; que professores mentem para que seus alunos tenham melhores resultados em exames que avaliam o desempenho das escolas (e que tal fraude pode ser descoberta com apenas um pouquinho de esforço); e que a redução da criminalidade nos EUA é fruto da liberação do aborto décadas atrás, e não de políticas de combate ao crime, e por aí vai.

Como disse Ubiratan Leal em texto em que analisou Soccernomics (uma obra inspirada em Freakonomics), "números não são subjetivos, mas a escolha deles e o modo de usá-los são". É por isso que se deve ter uma bela dose de cautela ao analisar conclusões que Freakonomics trata como verdades absolutas. Números são inquestionáveis e revelam muita coisa, mas colocar um pé atrás sobre o que se vê nunca é mau negócio.

E é sobre um dos dados também apresentados em Freakonomics que eu queria debater. O livro cita uma pesquisa de Levitt que analisou a relação entre o dinheiro das campanhas eleitorais e o sucesso dos candidatos. Há o consenso geral de que quanto mais dinheiro tem uma campanha, mais provável que ela seja bem sucedida; Levitt contesta isso, dizendo que, de fato, as campanhas com mais dinheiro são as que se dão bem - mas isso se deve ao fato de que os doadores já sabem que as campanhas tendem a ser vitoriosas, e utilizam isso como critério para investir suas quantias. Ou seja, a campanha tem dinheiro porque deverá dar certo, e não o oposto.

É mais uma representação clássica do "dilema de Tostines". Levitt crava que "são fresquinhas porque vendem mais", ou seja, têm dinheiro porque vencerão a disputa. E aí?

Admito que, tentando transpor o caso à realidade brasileira, ainda não formulei uma opinião derradeira a respeito. É fato que o comportamento eleitoral aqui, para as campanhas majoritárias (presidente, governadores, prefeitos) é mais previsível do que parece. Era óbvio que PT e PSDB polarizariam a disputa nacional em 2010, como vêm fazendo desde 1994; nos planos estaduais e municipais, há situações que são também bem previsíveis, de modo que um doador já pode saber para que lado a disputa tende a pender.


Por outro lado, nós não convivemos aqui com a figura das doações individuais (a menos não em caráter expressivo). Ou seja, a tal "motivação" para doar em uma campanha não é uma questão decisiva.

Tendo a acreditar que a opinião de Levitt valha para as eleições majoritárias brasileiras, mas não para as proporcionais (deputados e vereadores), porque neste universo específico o desconhecimento dos candidatos por parte da população e o excesso deles faz com que ter dinheiro seja um fator essencial para o triunfo.

Algum outro palpite?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Pensar global e agir local" - mesmo!

O ocorrido é antigo, mas recente texto publicado no Congresso em Foco me fez lembrar do caso e deu a ideia de discutir o tema aqui. Apesar de ser algo das eleições do ano passado, trata-se de uma questão que permanece ativa e, mais que isso, tende a se aprofundar no próximo ano.

Em 2010, como todos sabem, o fenômeno das eleições foi o Tiririca, deputado mais votado em São Paulo e que fez uma campanha baseada na brincadeira, na tiração de sarro, e que se beneficiou do descrédito do brasileiro em relação à política.

A qualidade das peças (e não estou sendo irônico: a campanha queria fazer rir e estimular o "voto de protesto", e nisso foi muito eficiente) fez com que as propagandas de Tiririca corressem o Brasil e se tornassem exemplos concretos do que se convencionou chamar de marketing viral.

Talvez durante as eleições vocês tenham visto o vídeo abaixo, do candidato Henrique Oliveira, do PR do Amazonas:



Do mesmo partido e tendo o mesmo número de Tiririca, Henrique convocou o humorista para dar uma força na sua campanha. Utilizar "famosos" como cabos eleitorais na campanha televisiva não chega a ser nenhuma novidade, mas... será que Henrique Oliveira traria Tiririca para sua campanha se o fenômeno já não estivesse em curso?

Evidente que não! Henrique Oliveira se aproveitou de algo que ocorria - a fama da inusitada campanha de Tiririca que, por meio da internet, repercutiu muito, mas muito além do seu público inicial, os eleitores paulistas.

O caso nos mostra que nas campanhas atuais, na tal da "era do Youtube", as referências geográficas em uma campanha eleitoral podem ser minimizadas. Candidatos de diferentes regiões podem se aliar em prol de uma plataforma comum, e ocorrências nacionais podem ser repercutidas com mais facilidade.

Em 2010, a indignação nacional contra José Sarney foi muito, mas muito menos explorada do que poderia pelos candidatos ao Congresso. Ele é um senador do Amapá, mas sua conduta vem sendo reprovada por brasileiros de todos os cantos; uma campanha bem estruturada pode utilizar o fato inclusive na disputa em um cargo de Câmara Municipal. Além de soluções práticas (asfaltamento de ruas, mais postos de saúde, melhorias na educação, etc), os eleitores querem um político com o qual se identifiquem, nutram afinidade. E a internet está aí pra isso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os famosos foram empossados. E aí?

Ontem, como todos sabem, ocorreu a posse dos deputados e senadores eleitos (ou reeleitos, ou que nem chegaram a ser eleitos mas se beneficiaram com a licença dos que preferiram outros cargos, mas enfim). Na ocasião também foram eleitos - ou melhor, e aí com mais precisão, reeleitos - os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, respectivamente José Sarney (PMDB-AP) e Marco Maia (PT-RS).

Naturalmente, a posse dos novos parlamentares ganhou destaque nos veículos de comunicação. Mas, à parte das eleições de Maia e Sarney, o que recebeu mais enfoque da imprensa foi a chegada dos parlamentares-celebridades: Tiririca (PR-SP), Romário (PSB-RJ), Popó (PRB-BA), Jean Wyllys (PSol-RJ) e outros.

Quase sempre, a citação a esse tipo de parlamentar é em tom de crítica: o triunfo deles escancara a fragilidade do sistema nacional, só ganharam porque são famosos, não acrescentarão nada à política e assim por diante.

Aí é hora de reiterar o que já disse aqui outras vezes. Não acredito - mesmo! - que o fato de uma pessoa ser "famosa" a faz menos (nem mais, evidentemente) preparada para a vida pública. Com exceção de Tiririca, que durante a campanha fez escárnio da função de deputado, os outros ganharam as eleições falando sério, apresentando propostas e tudo o mais - exatamente da mesma forma como fizeram os outros candidatos. Se beneficiaram de sua fama prévia? Evidentemente. Em eleições proporcionais, com uma overdose de candidatos e pouquíssimo espaço no horário eleitoral gratuito, já ser conhecido da população ajuda bastante. Mas é incorreto (e perigoso!) afirmar que essas pessoas só foram eleitas por conta de sua fama. Não fosse por isso, nomes como Agnaldo Timóteo, Maguila, Vampeta e Dinei (todos concorreram por São Paulo em 2010) não teriam ficado a ver navios.

É cômodo colocar a culpa no "povo" - assim, de forma abstrata - e amaldiçoar o trabalho das celebridades na vida pública desde seu início. Mas, infelizmente, a qualidade dos legisladores brasileiros anda tão baixa que não temos nenhuma garantia que políticos "convencionais" fariam melhor trabalho. Boa sorte a Jean Wyllys, Popó, Romário e companhia. O Brasil precisa deles, quer queiram os críticos, quer não.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Palin, um paradoxo político

Sarah Palin não é assunto inédito neste blog. Já falei sobre ela outras vezes, diretamente e também numa referência ao fato dela ser a principal liderança de um movimento político que cresce nos EUA.
sskennel/flickr
Agora, neste presente momento, não há um motivo específico para falar sobre ela - acredito que não seja justo relacioná-la ao ataque do Arizona, que vitimou a congressista democrata Gabrielle Giffords.

É só uma divagação a qual cheguei a pensar um pouco sobre a figura de Palin e seu posicionamento político.

Como dito no post de julho do ano passado, Sarah Palin é, de longe, a mais forte candidata a ser "a primeira mulher presidente dos EUA", ao menos no tempo corrente. A matemática é simples: os EUA têm dois partidos fortes, o Democrata e o Republicano; se Barack Obama fizer um bom governo, será candidato natural à reeleição, e então Hillary Clinton (ou outra liderança do partido) terá que esperar; se fizer um mau governo, é pouco provável que seja sucedido por um republicano; e entre os republicanos, que podem chegar à Casa Branca já em 2012 ou na eleição seguinte, não há mulher mais forte do que Palin.

Prossigamos.

Quando minorias conquistam posições importantes, é natural tratar o acontecimento como "histórico", "emblemático", "fruto de uma nova época" e assim por diante. As barreiras vêm caindo, chegará um dia em que estes acontecimento serão (felizmente) vistos como "normais", mas ainda não o são.

Então o mundo ainda se exalta quando os EUA têm seu primeiro presidente negro; o Brasil, sua primeira chefe de estado mulher; e não tardará muito para vermos presidentes/governadores/lideranças em geral abertamente homossexuais, ou com deficiência física, seguidores de religiões menos populares, entre outras.

Mas voltamos às barreiras. A da Presidência dos EUA - o cargo político mais importante do mundo - foi quebrada para os negros com a vitória de Barack Obama. Falta ainda a das mulheres.

E é aí que chego ao ponto curioso. Não será interessante ver tal barreira histórica ser rompida por uma candidatura... de direita?

Nos habituamos a ver as transformações sociais sendo conduzidas pelas lideranças de esquerda. E aí se encaixam desde as revoluções, como as de Cuba e da URSS, até as lutas cotidianas empreendidas pelos militantes das minorias - feminismo, luta LGBT, campanhas pela igualdade religiosa são causas que, embora em sua essência não atendam às diretrizes direita/esquerda, costumam ser tocadas por gente que é mais simpática a Karl Marx do que a Adam Smith.

Por tudo isso será um tanto quanto estranho caso Palin se torne presidente do EUA considerar que "um tabu está quebrado". O tabu das mulheres estará; mas da política empreendida, não. Será difícil cravar o possível acontecimento como uma vitória das "minorias" - ou, como a própria ex-governadora republicana se define, do "conservadorismo".

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um "nome de rua" pode ser mais do que parece

Criticar os políticos é algo que, já há tempos, se tornou um verdadeiro hobby do brasileiro. Estufar o peito e dizer "político é tudo ladrão" garante certa notoriedade nas festinhas de família, posicionamento em rodinhas com desconhecidos, interação com taxistas ou barbeiros.

Além da desonestidade, critica-se também muito a ineficiência. Que se traduz em alguns componentes tangíveis, como a reduzida semana de trabalho em Brasília ou a incapacidade dos poderes legislativos de realmente atenderem às necessidades da população.

Quem aí nunca leu nenhuma reportagem falando que "das X propostas apresentadas pelos vereadores, Y% [um número invariavelmente alto] foi para solicitar mudança de nome de rua"? Pois é: se o "dólar na cueca" se tornou a materialização da desonestidade, o "pedido para mudar nome de rua" virou a tradução da ineficiência, do desperdício, do "olha o que esses caras estão fazendo, que absurdo".

Pois bem: nesta semana uma "mudança de nome de rua" foi aprovada na Câmara dos Vereadores de São Roque, cidade do interior paulista na região de Sorocaba. Atendendo a solicitação do vereador Marquinho Chula (PSDB), uma via ainda anônima no bairro do Taboão, em São Roque, passará a se chamar Joaquim Justo da Silva.

E é aí que entram os esclarecimentos, para que este texto faça algum sentido. Joaquim Justo da Silva foi meu avô. Faleceu em 1990, quando eu tinha 10 anos. Convivemos pouco, muito pouco. O que sei sobre ele vem das histórias contadas pela minha mãe, tios e primos: foi um comerciante, dono de armazém, soldado constitucionalista em 1932, incentivador da história de São Roque e da educação em geral (ou alguém discorda que enviar uma filha à universidade nos anos 60 é algo a ser destacado?), além de ser filho de um educador e abolicionista.

Joaquim - ou Quinzinho, como sempre fora chamado - vira agora nome de rua. Uma bobagenzinha para São Roque, um "desperdício de dinheiro" para alguns, mas uma alegria a uma família que lutou para a implementação da medida e que busca, sempre que possível, ver enaltecido o nome de seus patriarcas.

A denominação fez com que os familiares - principalmente meu primo Alexandre - se aproximassem do poder público como raramente ocorre. Se sempre enfatizamos que é preciso que seja reduzida a distância entre administração e moradores, taí um exemplo de ação. Além de tudo, São Roque passa a ter mais uma figura histórica com uma homenagem materializada, mais uma pessoa a quem se referirão aqueles que procurarem mais detalhes sobre a história do município.

No cômpito geral, não acho que tenha sido um "desperdício de dinheiro" nem uma "prova da falta do que fazer" dos administradores. E vocês?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sobre o "escândalo" dos grandes doadores

Muitos veículos, como Folha e Estado, divulgaram hoje em tom de "denúncia" informações sobre as doações feitas por empresas para a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência. As reportagens destacaram o fato da principal doadora individual ser a JBS, empresa do ramo de carnes que recebeu, nos últimos tempos, significativos empréstimos do BNDES.

Desde que - felizmente! - as informações sobre doações de recursos para campanhas eleitorais se tornaram públicas, volta e meia surgem ilações sobre a relação entre doadores e beneficiários. "A empresa X doou um milhão para a campanha do fulano e meses depois foi escolhida em uma licitação" é o tipo de informação que costuma aparecer.

É claro que cabem, e muito, discussões sobre o interesse de grupos empresariais que fazem voluputuosas doações a campanhas políticas. Tendemos a rejeitar, de cara, o discurso de que as companhias fazem o ato "em prol da democracia" ou coisa do tipo.

Mas o que precisamos fazer é analisar mais os dados (que, repito, são públicos; é só ter certa paciência para vasculhar o site do TSE, cuja navegação não é das mais cômodas).

Lá é fácil verificar que é muito, mas muito comum que uma grande empresa que faz uma gorda doação a um candidato costuma... fazer doação semelhante a outro. Ainda que os dois sejam concorrentes, que se digladiem, que estejam em campos ideológicos/políticos diametralmente opostos.

Exemplos? Em 2006, a Acesita doou os mesmos R$ 50 mil a Aécio Neves (PSDB) e Nilmário Miranda (PT), rivais na disputa pelo governo de Minas Gerais. Dois anos depois, foi a vez do Itaú contemplar de maneira igual adversários: não dois, mas três de uma só vez. Gilberto Kassab (DEM), Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) receberam doações de R$ 250 mil reais para suas campanhas. Mais uma: R$ 25 mil foram destinados às campanhas de Sérgio Cabral Filho (PMDB) e Denise Frossard (PPS) pela Brascan Imobiliária em 2006. Na ocasião, Cabral e Frossard rivalizavam na disputa pelo governo do Rio de Janeiro.

É praticamente impossível a uma grande corporação ficar imune ao processo eleitoral. Candidatos de todos os portes certamente baterão às portas das companhias solicitando recursos. E, como se vê, o "agradar a todos" acaba sendo o caminho mais seguido.

Enquanto o financiamento público não existir (e será que um dia existirá?) e, principalmente, enquanto os partidos não conseguirem mobilizar os militantes para que contribuam financeiramente com as campanhas, as doações de grandes empresas serão mesmo o maior canal de dinheiro para as campanhas eleitorais. Nada de surpreendente nem de "denunciável" nisso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Cidades 24 horas

São Paulo registrou ontem (mais) um dia de trânsito caótico. A lentidão superou os 200 quilômetros, e isso apenas nas vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Foi mais um dia em que os paulistanos e quem circula pela cidade praguejaram contra o governo (seja ele qual for), reivindicaram mais estações de metrô, contestaram as facilidades do mercado para a compra de carros e assim por diante.

Todas, ou quase todas, reclamações justas. Falar sobre o trânsito de São Paulo é um assunto dos mais repetitivos - e chatos, já que as soluções sempre são apresentadas, mas nunca colocadas em prática.

E aí, divagando, pensei que talvez fosse o caso de pensarmos em outro perfil de solução. Claro que as macro são mais eficientes - não há quem discorde que uma São Paulo com o dobro de estações de metrô teria um trânsito incrivelmente melhor.

Mas talvez há saídas que passem por ações que, em tese, não teriam a ver com a circulação de carros propriamente dita.

Uma é o desenvolvimento de regiões mais afastadas da cidade. Se São Paulo é enorme e tem muito trânsito, é porque as pessoas precisam sair de umas regiões e se dirigirem a outras. Como qualquer lugar do mundo, há aqueles bairros com maior atividade comercial/empresarial e outros mais voltados à moradia, os populares "bairros dormitório".

Fazer com que essas regiões deixem de ser somente dormitórios é algo que certamente daria uma cara nova à região metropolitana. A Zona Leste da capital e cidades como Guarulhos, Osasco e Barueri, se dinamizadas, "reteriam" mais seus moradores e colaborariam para uma inversão, ou ao menos redução, no fluxo do trânsito (escrevi sobre isso no Futepoca, quando comentei a decisão de se construir um estádio em Itaquera).

E acho que uma outra via que poderia ser seguida seria a expansão no horário do fornecimento dos serviços da cidade. Em outras palavras, uma São Paulo 24 horas (ou algo mais próximo disso).

Bancos abrindo das 8 às 18, repartições públicas das 8 às 20, shopping centers das 8 à meia-noite, algumas linhas de ônibus e todas do metrô e CPTM non-stop...

"Mas ficará muito caro, porque será preciso contratar mais pessoas e pagar horas extras aos funcionários". Sim, certamente. Mas será que esse investimento não se pagará com o comércio/indústria/serviços funcionando até mais tarde, e consequentemente gerando renda?

O ruim de virar jornalista é que a gente se acostuma a entrevistar fontes e, por isso, ficamos meio temerosos em emitir opiniões próprias. Talvez alguém leia esse texto e vaticine: "quanta bobagem esse cara está falando! Nunca que os gastos pra fazer uma cidade funcionar até mais tarde se compensariam com 'mais vendas no comércio'".

É, talvez. Mas enquanto o metrô não é dobrado ou triplicado, as ruas não têm melhores condições e os ônibus seguem mal-cuidados, o que resta é colocar a imaginação pra funcionar de vez em quando. Pelo menos não polui...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Como seria um Tea Party brasileiro?

Houve recentemente eleições também nos EUA. Lá, "apenas" para o Congresso. O pleito apresentou um resultado que não chegou a ser surpreendente, mas sim impressionante: o Partido Republicano, de oposição a Barack Obama, deu um vareio nos democratas e decididamente complicará a vida do presidente nos próximos anos.

A não-surpresa se deve ao fato de que a popularidade de Obama vinha em declínio já há algum tempo. Ainda assim, é interessante ver como a oposição de lá ressurgiu, após ter sido dada como morta com a vitória de Obama em 2008.

Um aspecto interessantíssimo da eleição atual - mas que não se resume à votação, muito pelo contrário - é a consolidação do movimento Tea Party. Certamente você já ouviu falar sobre este grupo, tachado de "ultraconservador" e de um direitismo que faria George W. Bush envergonhar-se.

Cabe uma reflexão maior sobre o que é o Tea Party, o que eles defendem e a quê se opõem. O "ultraconservadorismo" deles faz referência às noções clássicas de direita e esquerda - e, portanto, a direita por eles apregoada é a do estado mínimo. Em suma: o que eles querem, acima de tudo, é pagar menos impostos. Querem um governo que trabalhe da menor maneira possível e que não se preocupe em estender suas mãos à toda a sociedade. Na visão dos teapartianos, a sociedade americana, historicamente, sempre deu conta de resolver seus próprios problemas, sem depender de um governo que interfira na economia e nas relações sociais para minimizar as mazelas coletivas.

Não há - ao menos explicitamente, claro - conteúdo racista, homofóbico ou anti-diversidade religiosa no Tea Party. Houve algumas manifestações isoladas (um dos seus principais líderes escreveu em seu Twitter ofensas aos latinos com teor muitíssimo similar às do caso Mayara Petruso), mas há uma preocupação grande de suas lideranças para que o grupo não seja visto sob esse prisma.

Outro aspecto interessante sobre o Tea Party é que, ao contrário do que se tem dito, o grupo não é, oficialmente, ligado ao Partido Republicano. É - ou ao menos diz ser - um movimento essencialmente popular, ou "grassroots", como eles dizem lá, numa referência às raízes da grama. Tanto que não há uma liderança formal, um registro oficial, e nem mesmo um website que seja o indicado pelo movimento. É tudo muito difuso.

Seus opositores dizem que o Tea Party de popular não tem nada, e que entre seus financiadores há gente como Rupert Murdoch, o proprietário da abertamente direitista Fox News. Mas aí é difícil cravar uma opinião nesse sentido.

De qualquer modo, o fortalecimento do Tea Party - certamente ouviremos falar ainda mais desse movimento, principalmente pelo fato de que já começam as movimentações para a sucessão de Obama - fez pensar como seria um movimento similar no Brasil.

De fato, não há, aqui, um partido que se assuma de direita. As imensas críticas ao Bolsa Família, que tanto barulho fizeram (e continuam fazendo) na internet não encontraram eco na campanha presidencial - José Serra, talvez o candidato mais ligado à direita, prometeu não só manter o Bolsa Família como até implantar seu décimo-terceiro. O único candidato que se declarou contra o programa foi... Plínio de Arruda Sampaio.

O único paralelo que se pode traçar com o Tea Party é com o famigerado movimento Cansei, que alcançou alguma repercussão aqui em 2007. Ambos foram movimentos "espontâneos", que se declaravam "apartidários" e que criticavam o governo "esquerdista" da vez.

Mas o Cansei não foi pra frente, principalmente pela ausência de propostas concretas (falar mal pode gerar algum Ibope, mas nada que não se esgote rapidamente). Em contrapartida, o Tea Party impressiona e tende a avançar ainda mais nos EUA.

Será que haveria espaço para um movimento direitista, espontâneo e forte no Brasil? A saber.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vitórias e derrotas femininas em eleições

E então no domingo aconteceu o que as pesquisas já indicavam há tempos: Dilma Rousseff (PT) venceu as eleições presidenciais, derrotando, com larga margem, José Serra (PSDB).

Muito já se falou sobre a vitória de Dilma, em especial sobre o fato dela ser a primeira mulher a chegar à Presidência da República. De fato, é um tabu que se quebra, e é algo cujos efeitos somente se solidificarão daqui a muitos anos.

Gostaria de trazer a vitória de Dilma a outra ótica: a do debate sobre o preconceito nas campanhas eleitorais.


Aos fatos: o Brasil elegeu para a Presidência uma mulher divorciada. Mais: a votação mais expressiva da candidata se deu na região Nordeste, o pedaço do Brasil com os piores índices de desenvolvimento humano.

Volta e meia o Brasil é tido como um país "machista". Desde o excesso de nudez no Carnaval até a baixa presença de mulheres no Congresso, tudo vira argumento para justificar essa opinião.

Mas aí, como dito, o país elege uma mulher divorciada para a Presidência da República. Como fica tudo isso, então?

O necessário a ser feito para compreender a questão é diferenciar o machismo cotidiano do comportamento eleitoral. O primeiro está aí, forte e firme, e não será a vitória de uma mulher na eleição presidencial que irá eliminá-lo.

Já o segundo tem muito mais nuances do que uma análise simplista focada unicamente na questão do machismo poderia traduzir. Em primeiro lugar: Dilma foi eleita, acima de tudo, por ser a representante de um governo muitíssimo bem aprovado pela população. Não há muitas invenções a serem feitas a partir daí. O eleitor costuma votar favoravelmente aos governos que lhe agradam; o governo Lula foi bem avaliado; Dilma era sua representante; então nada mais natural que escolhê-la. Isso transcende a questão da "mulher".

Em segundo lugar, uma mulher na Presidência é um fator novo. E quando falamos de política, essa "coisa" tão rejeitada pela população, novidade sempre cai bem. O povo em geral está cansado dos políticos e da classe política como um todo. E como é o estereótipo do político corrupto? Um homem, de terno e gravata, cabelos ajeitadinhos, fala mansa. Ou seja: uma mulher está do lado oposto disso tudo.

O debate sobre o peso do machismo nas campanhas eleitorais se faz necessário porque, volta e meia, lideranças de candidaturas femininas atribuem ao preconceito toda a responsabilidade pela derrota. Em São Paulo, isso se viu de maneira muito forte quando Marta Suplicy (PT) perdeu, em 2004, a prefeitura para José Serra (PSDB). Apurados os votos e consumada a vitória do tucano, iniciou-se a gritaria: "é por causa do machismo". Ora, uma cidade que havia eleito, anos antes, uma nordestina (Luiza Erundina), um negro carioca (Celso Pitta) e a própria Marta Suplicy, não poderia ter virado machista, reacionária e preconceituosa de uma hora pra outra. Certamente há questões políticas e da campanha propriamente dita que explicam as derrotas de maneira muito mais precisa do que a fácil apelação para o preconceito.

(Foto: Marcello Casal Jr / ABr)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

As "mágicas" do marketing político

Infelizmente, há quem ainda ache (e são muitas pessoas) que o consultor - ou "marketeiro" - político é um cara que fica inventando fórmulas e truques para vender um candidato para a população indefesa, que acaba votando no sujeito como se estivesse comprando um sabonete (sim, a metáfora é sempre o sabonete).

É preciso que se diga que tal imagem se consolidou, também, pela ação de maus consultores e políticos, que acabaram, mesmo, fazendo com que a população se iludisse por candidaturas péssimas.

Mas o fato é que consultoria política é uma atividade muito menos "mágica" do que o senso comum acredita. Não se trata de nada além de pesquisar o cenário eleitoral, aferir os interesses das pessoas e preparar um projeto que atenda às necessidades expostas. Por exemplo: se uma pesquisa diz que a principal reivindicação em uma cidade é a saúde, que adianta um candidato fazer toda a sua campanha falando de educação, transporte ou segurança?

Em termos eleitorais, a adequação se faz também quando se identifica os principais pontos fortes e fracos do candidato diante do eleitor, e realiza-se um trabalho com base neles. Nada de "transformação", nada de "enganação".

No vídeo abaixo, que encontrei abaixo no Youtube, há um exemplo perfeito do marketing político sendo muitíssimo bem aplicado. Trata-se da campanha eleitoral da cidade de São Paulo em 1992, quando os principais candidatos eram Eduardo Suplicy (PT) e Paulo Maluf (pelo partido equivalente ao atual PP). Luiza Erundina (PT) era a prefeita da cidade na época, e ainda não havia a figura da reeleição.

Já existia uma certa tradição eleitoral em São Paulo - que chegou ao seu ápice na eleição para governador de 1990, dois anos antes do pleito sobre o qual falamos agora - que dizia que Maluf sempre disparava nas pesquisas, mas que na hora H perdia a eleição. O motivo era simples: assim como Maluf era ferrenhamente amado por grande parte do eleitorado, era odiado, com muita intensidade, por outra fatia tão significativa quanto a anterior. E embora vencesse os primeiros turnos, na segunda metade se via atropelado pela somatória de praticamente todos os votos dos outros concorrentes.

A campanha de 1992 trabalha com precisão sobre o cenário. Note-se, pelo vídeo, que o foco está no público jovem - ou seja, num eleitorado tradicionalmente anti-Maluf. Isso se deve não apenas a uma tentativa de "conversão" do novo público, mas também pelo fato de acreditar que não havia muito o que fazer com o público mais velho, de posição mais consolidada (e, em grande parte, simpática a Maluf).

É muito boa também a referência aos candidatos derrotados Alyosio Nunes (à época no PMDB, hoje senador eleito pelo PSDB) e Fábio Feldmann (hoje no PV, à época do PSDB). Como já dito, reverter uma tendência natural de rejeição dos votantes em outros nomes era imprescindível para que Maluf chegasse à vitória.

Por fim, o refrão "a gente não tem nada contra o Suplicy / a gente não quer mais é o PT mandando aqui" é genial. Aceita que Suplicy é um candidato carismático, e que portanto ofensas diretas a ele poderiam causar uma repulsa do eleitorado; e trabalha sobre a rejeição habitual que parte do eleitorado tem ao PT, algo que vigora até os dias atuais.

Em que pese a épica presença do grupo Polegar e o exagero nas pinturas das caras dos cantores, trata-se de uma ótima peça.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Como fica o Senado?

Como a essa altura todos já sabem (acho), morreu hoje Romeu Tuma (PTB-SP), senador por São Paulo. Tuma já vivia um quadro complexo de saúde há tempos, a ponto de se ausentar praticamente de toda a reta final da campanha eleitoral recém-finalizada, na qual tentava a reeleição.

(Inclusive, a manutenção da candidatura de Tuma, contrariamente ao que fez o PMDB em relação ao também vitimado por doenças Orestes Quércia, foi alvo de pesadas críticas. Ricardo Young, candidato do PV ao Senado, chegou a acusar o PTB de estelionato).

Tuma perderia o mandato no final do ano. Então, em termos de "composição política", sua morte não altera o cenário do Senado Federal. Mas pode gerar uma situação curiosa.

Afinal, havia mais dois meses de mandato a serem preenchidos. Então é necessário que um suplente exerça o seu cargo nesse período. O primeiro suplente de Tuma é Alfredo Cotait Neto, que é secretário de Relações Internacionais de São Paulo.

Liguei há pouco na Secretaria para saber se Cotait assumirá o cargo nesses meses restantes. O assessor de imprensa informou que ainda não há definição a respeito - o que é natural, devido ao fato ter ocorrido há poucas horas.

Talvez Cotait opte por não optar a cadeira, por conta de sua função na prefeitura paulistana. Iria para o Senado então Alexandre Honore Marie Thioillier Filho, advogado que pleiteia o posto de ministro do Superior Tribunal de Justiça.

Sinceramente, não sei o que a legislação prevê caso Cotait e Thiollier optem por não assumir o Senado (o que seria compreensível, por se tratar de pouco mais de um mês). Se por algum acaso a legislação prever que o contemplado seja o candidato imediatamente abaixo de Tuma na eleição de 2002, teríamos a vaga destinada para... Orestes Quércia.

Há uma situação das mais curiosas se desenhando, essa é a verdade.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Balanço das eleições 3 - A "surpresa" do Senado em São Paulo

Apurados os votos, contabilizados os números, uma das principais surpresas das eleições 2010 se deu na disputa pelas duas vagas do Senado em São Paulo. Até um ou dois dias antes do pleito, Netinho (PCdoB) e Marta (PT) eram dados como eleitos; mas aí a vitória ficou com Aloysio Nunes (PSDB), e Marta obteve ao menos a segunda vaga. Netinho foi o grande derrotado.

Foi a senha para que se iniciasse uma temporada de caça aos institutos de pesquisa, que, em tese, falharam abruptamente ao não identificar o sucesso da candidatura do tucano.

Mas será que as pesquisas falharam mesmo? Ou o que ocorreram foram sucessivos erros de interpretação?

Quando se noticiava a liderança de Netinho e Marta, se baseava em pesquisas que divulgavam as porcentagens dos votos válidos. Ou seja, que desprezavam os votos em branco, os nulos e - o mais importante! - os indecisos.

Segundo o Datafolha, havia, no dia 2 (um dia antes das eleições), 24% de indecisão em relação ao segundo voto, e 11% em relação aos dois para o Senado. Já o Ibope, também no dia 2, constatou também 11% de indecisos e 17% que tinham apenas um nome.

Ou seja: 24%, 17%, 11%... é muita, mas muita coisa. É uma batelada de gente com possibilidade mais que ampla de reverter um quadro eleitoral.

Agora paremos para pensar para onde migariam esses indecisos.

O primeiro lugar no primeiro turno para Geraldo Alckmin (PSDB) para o governo do estado era uma certeza - a única dúvida que permanecia era se o seu percentual seria suficiente para vencer a eleição já de cara ou se haveria necessidade de segundo turno. Também era sabido, com base em eleições anteriores, que era mais provável que José Serra (PSDB) tivesse mais votos que Dilma Roussef (PT) em São Paulo.

Surgia então um paradoxo. São Paulo teria um imenso número de eleitores que votariam da seguinte forma: Serra para presidente, Alckmin para governador, Marta e Netinho para senadores. Faz sentido? Você conhece alguém que votou assim?

Marta e Netinho dispararam na frente das pesquisas pelo recall que ambos têm, uma como ex-prefeita e sempre presente em eleições e o outro como "celebridade". Aloysio, apesar de vasta vida pública, é uma pessoa de certo modo desconhecida do eleitorado.

E a eleição para o Senado - embora menos que as para a Câmara e para a Assembleia Legislativa - atrai menos holofotes que as para o Governo e a Presidência. Não se discute tanto os possíveis senadores quando se discute os possíveis presidente e governador.

Aí, à medida que a eleição foi se aproximando, o eleitor de Serra e Alckmin foi obrigado a pensar: "ei, eu preciso votar em alguém para o Senado!". E foi nessa toada que a candidatura de Aloísio subiu. Foi se solidificando nas pesquisas e, certamente, houve muitas pessoas que no próprio dia da eleição questionaram: "quem é o senador que é contra o PT?".

É essa situação, aliás, que explica a bela votação de Ricardo Young (PV), o quarto colocado na disputa. Young se beneficiou com o segundo voto dos eleitores de Aloysio e até mesmo de alguns que votaram em Marta - a rejeição ao nome de Netinho de Paula sempre foi das maiores.

No fim das contas, antes de demonizar os institutos ou creditar ao "acaso" o sucesso de Aloysio, fazer uma leitura adequada do cenário político e dos números das pesquisas acaba resolvendo a situação. Indecisos: nunca os despreze.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Latinos nos EUA: intenções mais amplas

Dou um tempo nas eleições nacionais para falar um pouco de um tema sempre interessante, a política dos EUA. A edição digital e em espanhol da sempre boa Campaigns & Elections (confira aqui) traz uma interessante matéria sobre o voto latino nas terras de Barack Obama.

Todo mundo sabe que os latinos (ou hispânicos, escolha o tema que lhe convir) são uma população que cresce e muito nos EUA, que o espanhol é cada vez mais falado, que Obama e McCain, tal qual outros tantos políticos, têm feito campanhas políticas específicas para esse grupo, e assim por diante.

A questão que a matéria da Campaings aborda é que ainda há muitas ações feitas para os hispânicos baseadas, unicamente, em preconceitos. O texto fala: há quem acredite que fazer campanhas em espanhol e falar sobre leis de imigração seja o necessário (e suficiente) para agradar a esses grupos.

E pesquisas revelam que os hispânicos, tal qual os outros americanos, querem também saber sobre desenvolvimento econômico, combate à violência, desemprego, etc., etc., etc..

Ou seja: fazer algo extremamente focado acaba soando ineficaz e até um tanto quanto desrespeitoso. Algo como "será que só porque eu sou latino eu não tenho direito de saber suas propostas para a saúde, educação, economia?".

No fim das contas, é mais uma comprovação do óbvio: sem uma boa pesquisa, tudo o que se fizer sai errado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Balanço das eleições 2 - Tiriricas e afins

"Tiririca é o deputado mais votado do Brasil! Isso é a desmoralização completa da política nacional! E ainda tem a Mulher-Pêra, o Kiko do KLB, a Cameron Brasil! Onde vamos parar!?"

Calma, calma. Vamos com calma nessa análise. É preciso compreender o que realmente significa o fenômeno Tiririca - e, mais que isso, dar a ele a dimensão correta.

Sim, Tiririca está eleito justamente por ter feito uma candidatura à base do escracho, que jogou justamente com a insatisfação que o brasileiro tem com a situação da política como um todo. Isso não é novidade para ninguém.

Mas Tiririca é o único palhaço das eleições? É a primeira pessoa a se candidatar com esse tipo de "plataforma"? Que nada! A cada eleições há dezenas de tipos como ele. Uns ainda mais escrachados, a maioria menos famosa, mas todos apostando na mesma estratégia: a palhaçada como 'marketing político'. E quantos são eleitos? Nenhum, ou praticamente nenhum.

"Ah, teve o Clodovil e o Enéas...". Não, não é por aí. Embora Clodovil e Enéas fossem, também, candidatos escrachados - na minha visão e na da maioria das pessoas - eles levavam-se a sério. E quem votou neles (ou grande parte dessas pessoas) o fez achando que ali estaria um parlamentar de verdade - ou no mínimo alguém que "não tinha medo de dizer a verdade".

Tiririca ganhou a eleição porque contou com um ótimo aparato partidário. Foi o principal candidato de um partido médio. Teve recursos, tempo na TV, e a principal legenda (o 2222) do partido. Não fosse isso, ele certamente não seria eleito - seria apenas mais um integrante do folclore eleitoral, como tantos outros.

Todos - reitero, todos - os outros eleitos para deputado federal em São Paulo não são nem famosos nem "engraçadinhos". Há os políticos de carreira, como João Paulo Cunha (PT), José Aníbal (PSDB) e Aldo Rebelo (PCdoB). Há outros que se beneficiaram por circunstâncias extra-políticas, como o delegado Protógenes (PCdoB) e Iolanda Ota (PSB), a mãe do menino Yves Ota, barbaramente assassinado anos atrás. Todos os outros famosos que tentaram a Câmara e causaram frisson por aí naufragaram nas suas tentativas.

Portanto, um pouco mais de calma ao decretar a falência do sistema político brasileiro e/ou a ignorância total do povo ao analisar os números de Tiririca. Fosse tão feia assim a situação, mais gente "errada" triunfaria.

As aspas no "errada" acima são para ressaltar outro ponto que também merece reflexão. A grande quantidade de candidatos 'famosos' despertou indignações exacerbadas nessa eleição, como nunca vistas. Mas vale pensar: é proibido que alguém que seja famoso queira entrar na política?

Discordo e muito desse dogma. Rejeito - como é óbvio - alguém que não tenha plataforma nenhuma e queira somente se beneficiar da fama. Mas acho possível que um famoso tenha a disposição de contribuir para a coisa pública. E, se isso for bem feito, pode gerar um bom trabalho.

Balanço das eleições 1 - O povo que não concorda...

Há muito, mas muito mesmo o que falar dessas eleições realizadas ontem - e que seguem ainda em curso. Apareceram algumas novidades, outras tantas revelações, e alguns conceitos se confirmaram. Farei alguns comentários ao longo desses dias.

Um, que "abre a série", é uma lembrança de O povo que não concorda comigo é burro, post que fiz em dezembro do ano passado. Trago novamente o assunto à tona porque, infelizmente, tenho visto essas análises se repetindo.

É só ver como alguns blogs estão repercutindo os resultados do pleito de ontem. Dependendo da orientação política dos seus autores, basta cravar que o povo "escolheu certo" ou "não sabe votar" - isso varia de acordo com a existência ou não de concordância entre a opinião do blog e dos resultados das urnas.

Reitero que cravar "inteligência" ou "burrice" do povo de acordo com o que acontece é algo ao mesmo tempo leviano e inadequado. A "cultura" de um povo não se modifica de dois em dois anos, que é o intervalo entre as eleições no Brasil. É mais correto dizer que cada eleição tem sua peculiaridade, e as dinâmicas das campanhas e dos pleitos são o que determinam como a coisa se conclui.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais sobre debates

O UOL divulga hoje (veja abaixo) uma matéria sobre os debates, que mostra, de maneira caricata, como que são montadas as estratégias dos candidatos.

Além do que citei no post anterior, a reportagem traz outro elemento que deixei passar: a reação de um candidato líder na disputa quando colocado diante de uma denúncia. O 'meu adversário apela para baixarias, eu não vou descer nesse nível' é um expediente tão clássico quanto - ao meu ver - entediante. Por outro lado, é compreensível: responder a uma denúncia é bom, mas ignorá-la e deixá-la morrer pode ser ainda melhor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Roteiro monótono de um debate

"Estamos aqui com mais um debate com os candidatos ao governo do estado. Agora, o Sr. Oposição faz a pergunta ao Sr. Governo.

Sr. Oposição: Sr. Governo, o povo sofre nas filas dos hospitais. Uma consulta demora meses para ser marcada. Há gente esperando nos corredores! Por que, apesar desse horror todo, o sr. ainda acha que merece o voto da população?

Sr. Governo: Sr. Oposição, em nossos quatro anos de governo nós fizemos muito pela saúde. Inauguramos 3.241 postos de saúde, contratamos 2.109 médicos, distribuímos 9.830 remédios. A prova do bom trabalho está em uma pesquisa, que mostra que 75% da população aprova os serviços de saúde.

Sr. Oposição: Então eu pergunto a você, cidadão que está nos assistindo. Você está satisfeito com a saúde? Fica tranquilo quando precisa de um atendimento? Aposto que não! Precisamos mudar!

Sr. Governo: Está perfeito? Não está. Mas já avançamos muito. E tenho certeza que avançaremos ainda mais."

==

Troque "do estado" do início do post pela unidade da federação que lhe convir (ou município, ou até mesmo a União). Substitua os nomes "Sr. Governo" e "Sr. Oposição" pelos candidatos que efetivamente estejam ocupando esses papéis durante o debate. E o exemplo da saúde pode ser substituído por qualquer outra área da administração pública - educação, transporte, finanças, ou qualquer uma à sua escolha.

Tem-se aí o roteiro de qualquer debate entre os candidatos do Brasil. Infelizmente. De um lado, candidatos de oposição que apelam para o emocional e para o fato que, no Brasil, os serviços públicos (seja quais forem) estão sempre aquém do que deveriam estar. Do outro, os do governo apostando na linha do "muito já foi feito, mas com o seu voto faremos ainda mais".

E ambos os lados despejando números, estatísticas, informações que acabam sendo irrelevantes para o eleitor.

Da maneira como se dão hoje, os debates servem somente para que os eleitores solidifiquem os votos que já pretendem realizar. Isso tem importância? Claro, é sempre bom cativar o eleitor. Mas talvez seria melhor insistir num debate que almeje a mudança de postura, ou que no mínimo coloque a tal pulga atrás da orelha em quem já havia decidido seu voto.

Como chegar a essa condição é algo de difícil resposta (se fosse tão fácil assim, todo mundo faria). De uns tempos pra cá, virou dogma entre analistas/marqueteiros que a "campanha negativa" mais prejudica o acusador do que o próprio acusado. Sob essa ótica, apresentar críticas fortes ao outro lado sugeriria um certo desespero, e faria com que o eleitor, motivado talvez por dó ou piedade, pendesse para o lado de quem recebe as críticas.

Modestamente, contesto essa visão. Ora, se há denúncias - sólidas, provadas, etc., etc. - por que não apresentá-las? Se há falhas administrativas (e aí não falo de corrupção, e sim de incompetência, promessas não cumpridas e outros temas), qual o problema em escancará-las, em deixá-las evidentes para o eleitor?

A "baixaria eleitoral" que muita gente condena está em devassar a vida pessoal dos candidatos - e não preciso citar exemplos disso, todo mundo tem alguns casos em mente. Agora, quando se trata da vida pública, acredito que isso tem que vir à tona. Sinceramente, mesmo, acho que o eleitor sai beneficiado com isso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Tocantins

Chegamos à última análise! Coincidentemente, o último estado pela ordem alfabética é também o mais novo de toda a união. E o único que tem apenas dois candidatos disputando o governo.

São eles Carlos Gaguim (PMDB) e Siqueira Campos (PSDB).

Carlos Gaguim (PMDB)
Quando se acessa a página inicial de Carlos Gaguim, abre-se um menu em que são expostas as duas páginas de campanha: o "site informativo" e o "site jovem", nas palavras do próprio texto.

Há, aí um pequeno erro. As duas páginas são realmente bem diferentes entre si. Enquanto o tal "site informativo" é caretão, sem nada digno de muito destaque (e também sem grandes tropeços, registre-se), o "site jovem" é excelente. Traz de maneira interativa e divertida propostas de Gaguim para o estado, além de outros conteúdos relacionados à campanha.

O errinho, ao meu ver, é dissociar uma página da outra. Quem está no "informativo" não consegue ir para o "jovem", e vice-versa.

Falando da página propriamente dita (o "informativo"), ela é marcada por um design que vai entre o mediano e o ruim, e que tem algumas falhas estruturais - por exemplo, o plano de governo é exibido de maneira mesclada às notícias, e quem acessa não tem certeza sobre qual segmento está.

Há também um destaque excessivo às mídias sociais na página inicial ("Ranking", com fotos e uma pontuação não explicada de alguns internautas, é talvez a coisa que mais se destaque). O painel com os seguidores do Twitter é também maior do que pediria um bom senso.

Mas está longe de ser uma página ruim. Talvez só precisaria de alguns ajustes estruturais.

Siqueira Campos (PSDB)
Design, design, design. É aí que está o principal problema da página do tucano.

Porque o conteúdo lá disposto é bom: há notícias atualizadas, o perfil do candidato é apresentado de maneira interessante, diz-se quais foram as realizações de Siqueira no estado, o programa de governo é mostrado em um tom interativo, os materiais para download estão todos ali...



Mas o site é, falando de maneira simplista, feio.

Há um excesso de branco na página inicial, e também nas subdivisões. O banner inicial, que traz Siqueira ladeado de seus candidatos ao Senado, é pequeno, e acaba ficando apagado diante dos outros itens que há na página.

Repete-se o erro do formulário por contato, a agenda é mal utilizada, mas enfim; a principal pisada de bola está no design - já que os erros de conteúdo são os que se encontrou, via de regra, nas outras páginas analisadas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Sergipe

O penúltimo estado a ser analisado é o Sergipe. Lá, os candidatos que lideram a disputa são João Alves (DEM) e o atual governador Marcelo Déda (PT).

João Alves (DEM)
O site do democrata deixa uma razoavelmente boa primeira impressão, que vai se quebrando quanto mais se analisa a página.

O design da página inicial, por exemplo, é bom. A foto do banner inicial é adequada, as fontes foram bem escolhidas, a composição das cores é legal.

Mas quando se começa a navegar pela página, detecta-se facilmente problemas feios de estrutura. Por exemplo: a visualização das notícias é péssima, com o texto sendo espremido em uma tela pequena, e exigindo que o internauta clique inúmeras vezes na barra de rolagem para ler a matéria por completo. Mais do que feio, é algo pouco convidativo.

Outro problema é dispor, na página inicial, conteúdos que não se encontram em nenhum outro segmento do site. Por exemplo, "Álbum de Campanha" e a listagem de todos os candidatos da coligação.

Nesta listagem, inclusive, está outra falha do site: a relação de todos os candidatos da coligação (o que é uma boa pedida e deveria ser mais executado) é colocada com uma imagem, e não em formato de texto. A mesma coisa acontece na boa seção "25 motivos para votar em João". Quando se coloca imagens, reduz-se a possibilidade de acesso ao site via sites de busca (já que não há como uma página ler o que está escrito em uma imagem) e também se limita a chance de o internauta copiar o conteúdo e replicar a outros possíveis eleitores.

Agenda confusa, ausência de um plano de governo mal elaborado e fracas ferramentas de contato são outras pisadas de bola da página.

Marcelo Déda (PT)
Uma das mais agradáveis surpresas de todas essas análises. Pelo seguinte: quando comecei a procurar, via Google, o site do candidato, localizei uma série de notícias, informações de outro tipo e o Twitter do governador. Nada de um site de campanha. Pensei que simplesmente não existia um.

Mas com um pouco mais de insistência achei o site de Déda. E encontrei uma das melhores páginas de candidato ao governo em todo o Brasil.

O design da página inicial é "clean", que estimula a navegação e que tem a cara de muitas páginas tidas como ícones da internet 2.0. O internauta encontra o que quer com facilidade, e tem ferramentas para disseminar o conteúdo.

Em "Sergipe Mudou" está uma das melhores sacadas da eleição: um infográfico bonito, amigável e informativo que traz as realizações de Déda no governo estadual. Isso, somado à boa disposição do plano de governo, dá um belo substrato ao eleitor que quer fortalecer o nome de Déda diante de amigos.

Há também referência a outras páginas de apoio a Déda, como "Elas votam Déda", para as mulheres, e "Vamos com Déda", para a juventude. Diferentemente do que ocorre em outras páginas, na de Déda a integração entre os sites de apoio é bem-feita.

Vídeos, áudios e fotos ajudam a compor todo o conteúdo do ótimo site.

Na penúltima análise, acabo encontrando uma das melhores páginas do Brasil na categoria. Muito bom!

Isso de novo?

Uma notícia que tem repercutido hoje diz que, na Grã-Bretanha, um anúncio de sorvete que estampava a foto de uma freira grávida foi proibido (aqui, texto do G1 a respeito).

Aí começam as discussões de sempre: as entidades religiosas alegam desrespeito às suas crenças, enquanto que os publicitários criadores do anúncio se baseiam na liberdade de expressão.

Queria discutir a questão por outro prisma. Na boa: 20 (ou quase isso) anos depois que a Madonna fez um clipe beijando um santo, e que a Benneton "chocou o mundo" com suas propagandas que traziam fotos de padres beijando freiras (e vice-versa), será que a publicidade ainda precisa desse recurso para se destacar?

Há quem critique (com certa razão) as peças "polêmicas" pelo mau gosto. Mais que isso, acho que elas devem ser criticadas pela falta de criatividade. É triste ver que certos expedientes ainda precisam ser utilizados em busca de visiblidade.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - São Paulo

Hora de falar do estado onde moro, o mais populoso do Brasil.

São Paulo tem a disputa polarizada entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT). Apesar de reconhecer que ele não tem chances na disputa, analiso também a página de Celso Russomanno (PP), adotando o mesmo critério que utilizei nos outros estados - e é também por isso que excluo a página de Paulo Skaf (PSB) da análise.

Aloizio Mercadante (PT)
"Poderia ser melhor" é uma expressão que sintetiza bem o que é o site do petista. Há bom conteúdo, o design não é algo que possa ser chamado de feio, a visibilidade é adequada - mas acontecem alguns tropeços feios para uma candidatura do porte da do senador.

Por exemplo: quem clica nas seções "Fotos" e "Vídeos", queira ou não queira, é redirecionado para páginas externas, do Flickr e do Youtube, respectivamente. Lanbçar mão desses recursos é legal; utilizá-los de maneira a fazerem com que seu leitor saia do site, não.

O plano de governo é apresentado de maneira estranha na página. É dividido em setores, mas a navegação é ruim: as subdivisões são mostradas apenas com letras em vermelho e, quando acessadas, revelam um texto escrito numa fonte pequena e num contraste cinza-branco que dificulta a leitura.

Há, na página inicial, um campo para doações: mas ele está apenas ali. Quem sai da home não o encontra mais de jeito nenhum. E está no site um telefone para contato, mas apenas do comitê da capital. Espalhar as formas de acesso seria uma boa pedida.

Celso Russomanno (PP)
Um candidato tradicionalmente ligado à comunicação e ao jornalismo deveria ter uma página de melhor qualidade. É uma tarefa hercúlea encontrar algo de positivo na página do deputado.

Talvez um dos únicos méritos seja o box "Veja o que dizem", na página inicial, que traz depoimentos de internautas enviados por email ou recolhidos das mídias sociais, como comentários de Youtube. E só.

A página é esteticamente feia, apresenta problemas para navegação (há conteúdos presentes apenas na home, que não se consegue encontrar em nenhum outro local), as fontes são mal escolhidas - e há notícias nas quais há mais de uma no corpo do próprio texto! - as fotos são estranhas...

O plano de governo não está disposto em formato PDF, mas chega até a ser pior do que o que acontece nos sites de alguns que optaram por isso. O que se vê na página de Russomanno é uma cópia documento entregue ao TSE: ou seja, um texto gigantesco, nada convidativo, que será lido por pouquíssimos. Talvez o "governador das ruas" tenha achado que seria perda de tempo investir mais na campanha pela internet...

Geraldo Alckmin (PSDB)
É a melhor página dos candidatos ao governo do estado - embora, claro, apresente problemas.

Um é, como no caso da página de Mercadante, fornecer como único endereço e telefone de contato o do comitê em São Paulo. Certamente há outros tantos no restante do estado... Um pequeno deslize acontece também na apresentação do currículo de Alckmin. É um texto longo, arrastado, que poderia ser melhor sintetizado e que destacasse realizações da vida pública do candidato (como curiosidade, vale dizer que a página de Alckmin é a única encontrada, até agora, em que há tanto destaque para a primeira-dama).

A página inicial traz até um excesso de informações, mas a disposição é muito bem-feita. Cores, menus, boxes e outros itens são colocados de maneira harmônica, compondo um conjunto interessante. A barra vertical para as doações, citando valores pequenos como R$ 10 e R$ 30, é uma ótima sacada.

Falando em boas ideias, em "Ações do PSDB" mostra-se realizações do partido (Alckmin incluído, evidentemente) no estado, em todas as suas gestões. É uma ótima maneira de chamar a atenção do eleitor, e quebra um pouco o tropeço que é resumir o currículo do candidato a um textão corrido.

O site chama também para as redes sociais utilizadas pela campanha, e na home, o segmento "Eu quero Geraldo 45" traz vídeos com depoimentos que podem ser enviados pelos internautas. Boa medida.

Vale dizer que a página segue a linha adotada em todas as ações de comunicação da campanha tucana: "Alckmin" praticamente não existe, o candidato é o "Geraldo".

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Santa Catarina

A abordagem agora é sobre Santa Catarina. Três candidatos - ou melhor, duas candidatas e um candidato - lideram a disputa: Angela Amin (PP), Ideli Salvatti (PT) e Raimundo Colombo (DEM).

Angela Amin (PP)
O site da deputada é esteticamente feio e apresenta problemas para navegação. Tem uma apresentação "espremida": a página propriamente dita ocupa apenas um terço da tela, deixando dois espações verticais inutilizados.

Na mesma linha, quem navega no site acaba esbarrando em outras chatices similares, como a dificuldade de se navegar entre as subdivisões do menu inicial. Ao se parar o cursor sobre uma opção, as subdivisões aparecem; mas é quase impossível passar de uma à outra sem que o cursor saia da tela e interprete que o internauta esteja querendo mudar de conteúdo.

Chama atenção também o pouquíssimo uso de cores (o site é praticamente todo cinza; além de feia, a cor é oposta ao azul/vermelho do PP, o partido de Angela, e o verde/vermelho/branco de Santa Catarina; a opção, então, parece inexplicável) e as fontes utilizadas. Para algumas páginas, recomenda-se o uso de uma lupa para que seja possível ver as notícias, dado o reduzido tamanho das letras na tela.

O curioso é que, em termos de conteúdo, o site é interessante, com boas sacadas. O menu "Linha Direta" tem cinco subdivisões, e todas elas são ótimas sacadas - em "Minha Família", o internauta envia uma foto de sua família e uma declaração de apoio à candidata. Isso é bom, porque garante uma atualização para a página, sugere uma ideia de apoio à candidatura e estimula mais visualizações.

Há tropeços como a ausência do plano de governo e ferramentas mais interessantes de contato. Mas, em geral, a falha principal da página está mesmo no design - o que salta ainda mais aos olhos quando se compara o site de Angela aos dos seus adversários.

Ideli Salvati (PT)
A página inicial é um tanto quanto poluída - a escolha das cores acabou não sendo tão harmônica assim, e o excesso de conteúdo pode prejudicar a visualização - mas isso acaba sendo um detalhe perto das outras coisas boas que há na página.

Por exemplo, no topo da página há três menus: "Ideli na sua casa", "Ideli no seu computador" e "Colabore com a campanha". A página de doações ainda segue "em construção" (e é meio improvável achar que estará concluída agora, a 20 dias das eleições). Mas os outros dois são ótimos. "Ideli na sua casa" sugere que o internauta receba uma placa com a foto da candidata, para ser afixada na residência - é preciso preencher um formulário e aguardar que um representante da campanha entre em contato. E "Ideli no seu computador" mostra como o visitante pode instalar, passo-a-passo, um programinha com informações sobre a campanha.

Alguns pequenos tropeços acontecem, como a disponibilização do plano de governo apenas em formato PDF - o que acontece também com a opção "Saiba o que SC já ganhou com o governo Lula". Expor essas duas informações de maneira mais agradável seria uma medida melhor.


Há o chamariz para uma outra página chamada embaixadores.sc. É um site, externo ao de Ideli, que reúne discussões e fóruns sobre Santa Catarina. Ideia boa - mas seria melhor executada se realizada dentro do próprio site de Ideli, sem fazer com que o visitante deixe a página para participar.

Em resumo, é um site bom, caprichado, mas que tem o conteúdo ligeiramente falho.

Raimundo Colombo (DEM)
Sem medo de errar: é uma das melhores sites do Brasil na categoria. Combina ótimo design com conteúdo de qualidade. Utiliza as mídias sociais de maneira inteligente e capricha nas ferramentas para estímulo de mobilização.

Por exemplo, a seção "Mobilização" traz um mapa do estado marcado com ícones; ao clicar neles, o visitante tem o nome e o endereço de um apoiador da candidatura, em uma rede que abrange todo o estado. A navegação poderia ser um pouco mais amigável, mas ainda assim é a melhor iniciativa de mobilização já encontrada - nome e sobrenome dos militantes, o que facilita o contato.

As biografias de Colombo e de seu vice, Eduardo Moreira, são mostradas de maneira simples e objetiva. E, na de Colombo, há ainda outro adicional muito bom: uma seção "Você sabia", com perguntas e respostas sobre o candidato, que expõem suas realizações na vida pública.

Em "Tô Contigo", fotos enviadas pelos visitantes compõem um dinâmico painel, de divertida e estimulante visitação.

A principal (ou talvez única) pisada de bola está no plano de governo. É chamado de "Agenda de Governo", e resume-se a um local onde o internauta pode enviar sua sugestão (e não se mostra o local onde as sugestões aparecem) e também onde se pode fazer o download do antipático PDF com o programa de governo enviado ao TSE. Um site tão caprichado merecia melhor atenção em um conteúdo relativamente básico como esse.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Roraima

Hoje seria o dia de analisar as páginas de Roraima, mas tal avaliação não poderá ser feita. Por um motivo simples: os dois principais candidatos ao governo não têm sites de campanha (ou, como sempre tenho dito aqui, eu que não encontrei nas buscas via Google; peço aos leitores que corrijam, se eu estiver errado).

Neudo Campos (PP), que é deputado federal, tem o Blog do Neudo. Que tem até um bom design, mas é pouco atualizado (a postagem mais recente é de 29 de julho) e não tem mais informações sobre o candidato. Já do seu principal adversário, José de Anchieta Júnior (PSDB), não se encontra nada.

Ainda que Roraima seja um estado pobre e o menos populoso do Brasil, desprezar a internet é um erro. Até pelo fato do estado ser geograficamente grande e, por isso, percorrê-lo é tarefa cara e que pode ser ineficiente.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Rondônia

Rondônia é o estado a ser visitado agora. Três candidatos lideram a disputa por lá: Confúcio Moura (PMDB), Expedito Júnior (PSDB) e João Cahulla (PPS).

Confúcio Moura não tem - ou pelo menos eu não consegui localizar - um site específico para a campanha; peço até a ajuda dos leitores se houver algum. O candidato tem um portal e um blog. Em ambos há pedidos de voto e referência ao número do candidato, mas não se tratam de sites de campanha propriamente ditos. Ficam, então, excluídos da análise.

Expedito Júnior (PSDB)
A página do candidato tucano pouco arrisca. E, consequentemente, pouco alcança.

Não é um site feio. Pelo contrário: o plano de fundo é legal, a combinação amarelo/azul se dá de maneira harmoniosa, as fontes estão bem escolhidas.

E em termos de conteúdo se pode dizer que o que habitualmente se verifica nos sites de candidatos está à disposição do visitante.

Comete as falhas costumeiras das outras páginas da categoria - o plano de governo está resumido a um arquivão em formato PDF e a única forma de contato, além das mídias sociais, se dá por meio do formulário.

Há também certa "simplicidade exagerada" na apresentação da biografia do candidato - Expeo foi vereador, secretário, deputado e atualmente é senador, e esses cargos são mencionados em míseras linhas, sem que se destaque o que o político fez no exercício destas funções.dit

Chama também a atenção o fato de não haver nenhuma menção sequer aos outros componentes da chapa (com exceção do vice, Miguel de Souza). Quem acessa o site não consegue saber quem são os candidatos ao Senado e à Presidência que Expedito apóia.

A ausência da agenda do candidato também é uma falha significativa.

Jorge Cahulla (PPS)
Se o site de Expedito Júnior chama negativamente a atenção por sua excessiva simplicidade, na página de Cahulla temos o oposto. Ao menos na página inicial: há uma sobreposição de cores, boxes e fontes que cria um design poluído e pouco amigável.

Por exemplo, as opções do menu principal - "Agenda", "Sobre o Cahulla" e outras - acabam sendo praticamente ofuscadas, já que para elas é utilizado uma fonte minúscula, que pouco se destaca perto do restante que há na home.

Em termos de conteúdo, a página até que cumpre os requisitos básicos. Tem a biografia do candidato, acessos para as mídias sociais, citação ao vice, vídeos e áudios, e outras ferramentas.

O plano de governo, ao menos no momento de elaboração desse post, apresentava falhas técnicas: a página mostrava uma única seção, "Agricultura e Pecuária", e ainda assim com uma imagem cuja ampliação não funcionava. Corrigido este problema - e ampliadas as subdivisões -, aparentemente teremos um bom conteúdo.

"Sala de Imprensa" é um tanto quanto inútil, já que reproduz as notícias que estão em outros trechos do site e não traz as ferramentas de contato. E falando em contato, o "erro do formulário" é também cometido na página.

Tal qual no site de Expedito Júnior, não há menção aos outros candidatos - Senado, Câmara e Presidência - da chapa de Cahulla.

E um dos principais acertos do site está na página inical, com a seção "O povo fala": vídeos simples, com depoimentos de eleitores, falando sobre as realizações de Cahulla e do governo anterior (o qual apóia).

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Rio Grande do Sul

O estado a ser analisado agora é o Rio Grande do Sul, cujos principais candidatos são José Fogaça (PMDB), Tarso Genro (PT) e Yeda Crusius (PSDB).

José Fogaça (PMDB)
Em geral, o site do peemedebista é bom. A página inicial (apesar do banner principal e sua foto estranha) é bem feita, com uma disposição adequada de fotos, destaques e das cores - o vermelho-amarelo-verde do estado acabou se harmonizando legal com o azul do banner principal e com as outras informações.

A maior falha do site está na apresentação do plano de governo do candidato. Coloca-se apenas um link para download do programa, que é apresentado por um texto denso, de três parágrafos, pouco convidativo.

Em compensação, o site acerta em "Conquistas Históricas": lá se mostram as realizações de Fogaça quando prefeito de Porto Alegre, de maneira dinâmica e fácil. Basta o internauta escolher uma área de interesse e tem à sua disposição informativos sobre o que fez o candidato em seu mandato anterior.

Outra virtude do site de Fogaça - algo até agora não visto em nenhuma outra página - está na apresentação das ações da candidatura nas mídias sociais. Ao invés de apenas despejar os ícones das redes (e contar para que o visitante seja habituado a todas elas), há uma subdivisão chamada "Vida Digital" em que, em um simples parágrafo, de maneira didática, explica-se o que é a rede (Twitter, Youtube e outras) e como se dá a participação da campanha.

Tarso Genro (PT)
De certo modo cabem à página do petista os mesmos elogios feitos ao site de Fogaça. A apresentação visual do site é muito boa. Os conteúdos estão bem dispostos na página inicial; o design, amplo e espalhado, gera uma visualização agradável e de fácil navegação.

Em toda a página o conteúdo é bem distribuído e apresentado. E há conteúdo de sobra: o programa de governo é setorizado (e quem quiser baixar o PDF completo pode fazê-lo), a agenda é informativa (embora traga apenas o dia corrente, mas pelo menos os compromissos são bem detalhados). Caberia detalhar, em sua biografia, o que fez como prefeito e ministro, mas ainda assim a seção está bem feita.

Da série "boas e simples ideias", o site tem a listagem de todos os candidatos da chapa - inclusive todos os que disputam vagas de deputado federal e estadual, com direito a links para os sites dos que tiverem páginas na internet. Isso reforça o senso de grupo, além de atrair mais visitantes.

O comitê central da campanha tem seu endereço e telefone divulgados logo na página inicial. E, internamente, há inclusive o mapa do local, via Google Maps. Para ficar perfeito, seria legal a inclusão dos comitês das outras cidades. Mas já é algo superior à média.

Um item que não consta no site e que está presente na maioria das páginas dos candidatos ao governo (inclusive na dos dois adversários de Tarso) é a dos materiais de campanha para download. Já que tal subdivisão virou "commodity", poderia constar ali.

Yeda Crusius (PSDB)
A página da atual governadora tem na interatividade seu principal mérito. Mais do que colocar os ícones das redes sociais, o site efetivamente utiliza e dá destaque a esses elementos.

Por exemplo, em "Pergunte", há questões enviadas e cujas respostas são assinadas pela candidata. As perguntas percorrem uma gama que vão desde "Qual a sua proposta para a educação?" até "Onde posso encontrar as fotos do evento do dia 20?".

Na página inicial, há também outros três bons pontos de interatividade. Um é o "Faça o seu Y", em que os visitantes enviam fotos para serem publicadas; em "Mensagem para Yeda", há o envio de textos, que podem também conter imagens; e "Meu voto é de Yeda" tem perfil semelhante. Todas são boas ações, e que colaboram para o aumento de visitantes.

A subdivisão "O que Yeda fez por você" é boa, com as realizações da governadora; em compensação, as "Diretrizes para o segundo governo" são apresentadas em um antipático PDF.

E peço a ajuda dos visitantes: no momento de produção desse post, o menu "Pegue sua bandeira" não funcionava. Ao acessá-lo (e em mais de um navegador), me deparei com uma mensagem de erro do Google Maps. É isso mesmo? Gostaria de ver essa seção porque, aparentemente, ela traz uma ótima informação, que é a dos comitês em diferentes municípios do estado.

Com exceção desse problema técnico, a principal falha do site de Yeda está justamente em seu design. A utilização ampla da cor azul traz um tom monótono à página - sem contar que, em um estado de rivalidade futebolística tão forte, privilegiar a cor de um dos principais times é queimar-se com parte significativa do eleitorado...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Rio Grande do Norte

O estado a ser analisado agora é o Rio Grande do Norte, que tem três candidatos à frente da disputa: Carlos Eduardo (PDT), Iberê Ferreira (PSB) e Rosalba Ciarlini (DEM).

Carlos Eduardo (PDT)
A página do pedetista tem um design adequado. Mas as principais falhas estão no conteúdo.

Antes, uma observação: Dilma Rousseff e o presidente Lula aparecem muito mais em destaque na página de Carlos Eduardo do que na de Iberê (que analisaremos em seguida), que tem o PT, partido do presidente e da presidenciável, como parte da coligação. Ponto positivo para a página do candidato do PDT.

Apesar de visualmente ser bem-feita, a página inicial do site do pedetista é relativamente confusa. Percebe-se isso pela diferença nas fontes adotadas. Nas das notícias, o tamanho é maior do que deveria; já nas dos destaques que se rotacionam, as letras são dignas de figurarem em bulas de remédio, de tão pequenas que são.

O plano de governo do candidato é apresentado no péssimo formato de PDF. A biografia de Carlos Eduardo (e do seu vice Álvaro Dias) é colocada em um texto corrido, em fontes pequenas, o que resulta em algo pouco convidativo.

Pouco se explica da agenda do candidato (há apenas os compromissos para o dia corrente, e apresentados em poucas palavras), e o contato se resume a um único formulário. Poderia ser melhor.

Iberê Ferreira (PSB)
Talvez possamos dizer que o site de Iberê tem virtudes e defeitos exatamente opostos aos da página de Carlos Eduardo.

O design é um tanto quanto poluído - a despeito do belo banner principal, com uma boa foto do governador com a bandeira do Rio Grande do Norte ao fundo. Mas há um excesso de subdivisões, imagens coloridas e outras informações que pode acabar confundido a cabeça do visitante.

E olha que a página tem duas das medidas mais interessantes já encontradas nas análises - mas ambas são prejudicadas pelo problema do design. Em "Mapa de Trabalho", o internauta acessa um mapa do estado (via Google Maps) com algumas cidades em destaque; clicando nelas, aparecem ações realizadas pelo governador no município. Mas o mapa é pequeno, a navegação é um pouco confusa, talvez fosse melhor executar a (ótima) ideia em outra plataforma.

"Sou trabalhador", que aparece em um destaque pequeno na página inicial, tem uma coletânea de vídeos com depoimentos espontâneos pró-Iberê. E o internauta pode também enviar sua gravação. Boa alternativa, que merecia até ser melhor posicionada no site inicial.

O plano de governo é bem exposto, dividido em áreas, e o material de divulgação está em boa quantidade, disponível para download. Repete-se a falha de sempre no contato, inclusive no para a imprensa: o menu "Imprensa", em destaque na barra de navegação principal, remete a vídeos, fotos e outras informações que já estão em outros trechos da página.

Rosalba Ciarlini (DEM)
Excelente site. Utilizar a cor rosa para a campanha de uma candidata é algo meio clichê, mas que foi bem empregado neste caso - até porque a composição com o azul e o branco, as outras cores que dominam o design, está muito bem feita. (Curiosidade: a rosa presente no logotipo principal da candidatura é idêntica à que o PDT, partido do adversário Carlos Eduardo, utiliza em sua logomarca oficial.)

Em geral, a página inicial apresenta uma visualização muito boa. Está repleta de informações, mas a disposição delas ocorre da melhor maneira possível. Tudo fica bem posicionado, facilitando a navegação por parte do internauta e a visualização do conteúdo geral.

A biografia da candidata é muito bem apresentada. E não só visualmente: ações da vida pública de Rosalba ganham destaque, compondo assim muito bem a imagem da democrata. A presença dos dois candidatos ao senado da chapa - José Agripino e Garibaldi Alves - se dá no banner principal e também em um gif muito bem feito e bem posicionado na página inicial.

A rede "Amigos da Rosa", em formato Ning, é outra boa ação - mas informações lá presentes deveriam ser levadas à página principal, e não ficarem restritas aos internautas cadastrados.

Como críticas, registre-se o formulário como único caminho de contato (inclusive para a imprensa) e o plano de governo, que não é apresentado em setores.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sites dos candidatos ao governo - Rio de Janeiro

Chegamos agora na letra R, e ao terceiro maior colégio eleitoral do Brasil. A disputa lá está polarizada entre o deputado Fernando Gabeira (PV) e o atual governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Fernando Gabeira (PV)
Se fôssemos levar o ditado "a primeira impressão é a que fica" a sério, rejeitaríamos o site de Gabeira. Porque o design da página inicial do deputado aposta em uma combinação estranha de diferentes tonalidades de verde que acaba gerando um efeito estranho.

Mas tal juízo seria equivocado. À parte desta falha no design, o site de Gabeira é muito bom. É bem informativo - tudo o que se precisa saber sobre o candidato e sua campanha está lá. As notícias são bem dispostas (e interessantes), vídeos e áudios são divulgados da maneira correta.

Há um diferencial na página. O campo "Transparência" fala sobre o que foi arrecadado e como foi investido esse dinheiro. Até agora, nenhuma das páginas consultadas trouxe esse tipo de informação. É algo que acaba pegando bem para o eleitor. Falando ainda de doações, a página tem um campo para tal - ainda que não da maneira mais recomendável, que seria a doação online, mas pelo menos as instruções estão passadas.

O site contribui de maneira eficiente para a participação do voluntariado. Pela página, se pode baixar material de campanha (wallpapers, banners e outros) e solicitar o envio de material impresso. Há também um canal exclusivo para o voluntariado, que traz atividades corriqueiras (e boas), como panfletagem e bandeiraço em diferentes localidades.


Paradoxalmente, o que é a maior virtude da página acaba sendo também sua principal falha. Para descobrir onde acontecerão os eventos, é preciso ser cadastrado na rede social - ou seja, acontece uma "burocratização" do acesso que acaba inibindo a divulgação do evento, bem como a presença de mais eleitores. E não há um único telefone ou endereço para contato - quem quiser falar com Gabeira e sua campanha, tem que apelar para o formulariozinho.

Sérgio Cabral Filho (PMDB)
O ponto onde está a maior falha da página de Gabeira é o que registra a maior virtude do site de seu principal adversário - o design do site de Cabral é ótimo. A página é muito bonita, e tem uma apresentação que remete a um site comercial. Ou seja, algo com o qual o internauta está mais habituado, e que estimula a navegação e a permanência no site.

A página inicial traz também uma sacada das melhores já analisadas até agora. É a caixa "Realizações", subdividida em nove ícones em que é dito o que o governador fez nas áreas de segurança, saúde, ambiente e outros. Como já dito em outras análises, um candidato com vida pública extensa tem a obrigação de apresentar o que já fez - e quando mais prática e direta essa apresentação for feita, melhor. O site de Cabral consegue isso.

Outra medida simples mas muito eficaz é a seção "Por que votar?". Lá há 15 textos curtos (um ou dois parágrafos) cada em que são apresentadas razões pelas quais um eleitor deve preferir Sérgio Cabral. Mais do que convencer o internauta, o mérito desta página está em dar ao visitantes argumentos para falar sobre o candidato em uma discussão. Ponto positivo.

Em "Imprensa", estão os telefones e emails para que o jornalista contate a campanha. Óbvio? Pois é, mas raramente feito.

Os dois principais tropeços do site estão na ausência do plano de governo - não existe, e nem há outras menções sobre o que o governador pretende fazer se reeleito, apenas citações em algumas notícias - e na ínfima ferramenta de contato, resumida ao formulariozinho.